O secretário do Tesouro Nacional, Marcelo Saintive, disse nesta terça-feira, 10, que a alta da moeda norte-americana é um movimento que ocorre em todo o mundo e que não deverá pressionar os preços no mercado interno. Em entrevista para anunciar mudanças no programa Tesouro Direto, o secretário disse ainda que não vê risco de mudança no grau de investimento do Brasil e que o governo não tem dificuldades para rolar a dívida pública.

“O movimento de câmbio é mundial, não tenho expectativa de que isso tenha repasse para a inflação. Estamos acompanhando, é a nossa função, mas essa é a nossa expectativa no momento”, afirmou.

Outras fontes da equipe econômica também avaliaram a recente alta do dólar como “natural”, já que atinge também outras moedas, como o euro. Esse discurso, que vem sendo repetido pelo governo, é avaliado pelo mercado como um sinal de que o governo deverá deixar o real se depreciar e intervir menos no mercado de câmbio. A moeda já acumula alta de mais de 9% no mês de março e fechou em leve queda ontem, de 0,45%, em R$ 3,1090.

Às vésperas de receber uma comitiva da agência de classificação de risco Fitch Ratings, Saintive avaliou que não há risco de mudança no grau de investimento da dívida soberana brasileira. “A agência de rating olha basicamente a credibilidade da política fiscal, e isso está sendo demonstrado. É com isso que nós vamos caminhando”, afirmou.

Saintive sinalizou ainda que o governo cumprirá a meta de superávit primário de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) que deve alcançar R$ 66,3 bilhões em 2014. O indicador é um dos analisados pelas agências de rating em suas avaliações. “O que a gente tem demonstrado passo a passo é que a meta fiscal é uma meta do governo e da presidente Dilma Rousseff”, disse Saintive.

A manutenção na nota do Brasil no patamar de grau de investimento pelas agências de rating no momento de ajuste fiscal é perseguida pelo governo para manter a economia brasileira atraente para o investidor externo. Na semana passada, Saintive e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, estiveram com representantes da agência Standard & Poor’s e se preparam para receber a equipe da Fitch nos próximos dias . Eles dialogam com as agências para evitar que a nota do País seja rebaixada, como ocorreu com a nota de crédito para a dívida em moeda estrangeira e local da Petrobras, rebaixada pela Fitch em fevereiro. Entre as mensagens que a dupla deu à S&P e deve reforçar para o pessoal da Fitch está a de que a meta de superávit primário está mantida e será cumprida.

Hoje, o secretário do Tesouro disse ainda que o órgão não está enfrentando nenhum problema na colocação de títulos no mercado. O subsecretário da Dívida Pública, Paulo Valle, ressaltou que os leilões em maior volume feitos nas últimas semanas ocorreram por conta do maior vencimento de títulos concentrado nos quatro primeiros meses do ano.

“Tem uma volatilidade, mas o Tesouro tem instrumentos para enfrentar isso. Temos conseguido rolar a dívida até agora e estamos até avançados no nosso processo de rolagem”, completou Valle.