O governo determinou, na noite desta terça-feira, 08, a demissão do diretor financeiro do Postalis, Ricardo Oliveira Azevedo, após o jornal O Estado de S. Paulo revelar que uma investigação da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), órgão do Ministério da Previdência, pediu, no fim de agosto, seu afastamento por investimentos que provocaram prejuízos de R$ 762 milhões ao fundo de pensão dos Correios.

Segundo a reportagem apurou com a alta cúpula dos Correios, foi dado um prazo até esta noite para que Ricardo Oliveira peça demissão, caso contrário haverá uma reunião da diretoria para aprovar sua saída do órgão na quarta-feira, 09. O ministro Paulo Bernardo (Comunicações) já vinha discutindo o assunto, mas, segundo um interlocutor, a situação se agravou após a reportagem revelar o tamanho do prejuízo.

Conforme o jornal apurou, desde as 15 horas, interlocutores do ministério e dos Correios tentam convencer Oliveira a pedir demissão. Até o início da noite, porém, ele recusou a sugestão para uma saída honrosa. Mais cedo, o ministro informou que vinha “discutindo as providências cabíveis” em relação ao diretor financeiro. A reportagem pediu ao Postalis uma entrevista com Oliveira, mas não houve retorno.

Com base na decisão da Previc, dez entidades ligadas a fundos de pensão e aos trabalhadores dos Correios solicitaram aos ministros da Casa Civil, das Comunicações e à presidente Dilma Rousseff o afastamento do diretor por prejuízos causados ao Postalis, que é o terceiro maior do País em número de contribuintes.

O diretor financeiro foi mantido no cargo mesmo após a Previc determinar, no final de agosto, o afastamento dele do cargo por dois anos e aplicar multa de R$ 40 mil. Além de Oliveira, foram punidos pelo órgão outros quatro ex-diretores do Postalis. O Postalis argumenta que cabe recurso da decisão, por isso não afastou Oliveira.

Ata

Conforme O Estado de S.Paulo revelou, o conselho do Postalis chegou a deliberar pela demissão de Oliveira no ano passado, mas 13 dias depois, um diretor mudou o voto o que resultou na permanência dele. Os diretores favoráveis ao afastamento alegaram que, antes de assumir a diretoria financeira, Oliveira era gerente de aplicações e membro do comitê de investimentos do Postalis.

Funcionário do Postalis, Oliveira foi indicado para o cargo por aliados do PMDB no órgão. A diretoria financeira era controlada anteriormente por Adilson Florêncio da Costa, ligado ao PMDB do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e do ex-ministro das Comunicações Hélio Costa. A reportagem apurou que o novo diretor financeiro deve ser indicado pelo PT que tem a presidência do Postalis.