Brasília – Na contramão das expectativas e por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a correção da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) está mesmo em pauta do governo. Ela será discutida hoje numa reunião do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, com o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho. “Espero que essa reunião seja definitiva. Nós não agüentamos mais discutir esse assunto”, disse o sindicalista, que ontem aproveitou a cerimônia de instalação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial, no Palácio do Planalto, para reclamar.

O ministro do Planejamento, Guido Mantega, confirmou que a área técnica do governo está trabalhando na mudança, mas informou que ainda não há nenhuma conclusão. Até o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, defendeu mudanças no IRPF para beneficiar a população de menor renda. Ele acha que uma “flexibilização” do IRPF ajudaria a criar um ambiente favorável no País, mas alertou que qualquer mudança tem de ser feita com responsabilidade fiscal para não prejudicar o equilíbrio das contas públicas.

“Amanhã (hoje), terei uma peleja grande com o ministro Palocci a respeito da tabela do Imposto de Renda”, disse Marinho em discurso no Planalto, numa cerimônia que nada tinha a ver com o tema: a instalação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial. Ele reconheceu que reivindicações como a sua são “armadilhas” que Lula e sua equipe têm de desarmar no curto prazo.

A CUT quer que a tabela seja corrigida em 57%, que é a “defasagem” acumulada desde 96.