O governo central (Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social) teve um superávit primário (receitas menos despesas, excluído o pagamento de juros) de R$ 6,249 bilhões em março. O resultado reflete um superávit de R$ 7,735 bilhões do Tesouro, um saldo positivo de R$ 4 milhões do BC e um déficit de R$ 1,49 bilhão da Previdência.

Nos três primeiros meses deste ano, o governo central acumulou um superávit de R$ 17,597 bilhões, ou 4,63% do PIB (Produto Interno Bruto). No mesmo período de 2003 o saldo positivo havia sido de 4,34% do PIB.

O governo central é responsável por mais da metade da meta de superávit primário de 4,25% do PIB acertada com o FMI (Fundo Monetário Internacional) para este ano. Sozinho o governo central deve economizar 2,45% do PIB. As empresas estatais, estados e municípios são responsáveis pelo restante.

O superávit primário serve para evitar o aumento excessivo da dívida pública e reduzir a desconfiança do mercado de que o governo não poderá honrar sua dívida. O dinheiro economizado, entretanto, deixa de ser utilizado em obras de infra-estrutura ou projetos sociais, por exemplo.

Dívida cresce

A dívida do governo federal em títulos públicos cresceu 2,25%, passando de R$ 743,15 bilhões em fevereiro para R$ 759,84 bilhões em março. Segundo dados divulgados ontem pelo Tesouro Nacional e pelo Banco Central, o crescimento resultou de dois fatores: o pagamento de juros da dívida e a emissão líquida (descontados os resgates) de R$ 6,1 bilhões em títulos públicos no mês passado.

Além disso, o prazo médio para o pagamento da dívida diminuiu de 30,7 meses em fevereiro para 30 meses em março.

No entanto, o Tesouro e o BC conseguiram novamente reduzir a participação da dívida atrelada à cotação do dólar, que passou de 19,02% para 17,71% do total. Além disso, a parcela da dívida prefixada (com remuneração que não varia independentemente de mudanças no humor do mercado) cresceu de 13,59% para 15,41% do total.