Brasília  – O Ministério da Fazenda divulgará nos próximos dias o programa econômico do governo. O documento, que está sendo preparado pelo ministro Antônio Palocci e a sua equipe de secretários, conterá a linha de ação da gestão macroeconômica do País. “É um programa de trabalho”, informou o secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda Otaviano Canuto. Segundo ele, a divulgação do programa visa a dar transparência às ações do governo e permitir o diálogo com a sociedade. Na avaliação da equipe econômica, quanto maior o grau de confiança por parte dos agentes econômicos, melhor eles podem traçar as suas estratégias com segurança.

Por isso, o esforço em explicitar detalhadamente e de forma ordenada num documento as principais linhas de ação da política econômica. “O programa trará a direção das mudanças preconizadas para tornar o modelo econômico mais dinâmico e mais justo socialmente”, explicou o secretário. Uma avaliação detalhada do contexto atual, que levou a decisão do governo de elevar de 3,75% para 4,25% do PIB a meta de superávit primário das contas do setor públicas fará parte do documento. Considerações sobre a responsabilidade macroeconômica serão bem detalhadas. Outras ações serão incluídas na forma de uma arcabouço geral para uma discussão posterior entre o governo, Congresso Nacional e sociedade.

O programa vai trará também uma parte explicativa sobre o quadro econômico herdado pelo novo governo. “Terá também alguns aspectos da distribuição de renda e a relação com a macroeconomia”, informou Canuto. O programa também fará uma avaliação sobre a necessidade de reformas estruturais e a estratégia para permitir o aumento do acesso ao crédito pelo setor privado.

Canuto avaliou que não fosse o cenário atual de risco de uma guerra no Iraque, o dólar e a taxa de risco do País estariam em patamares mais baixos. Na sua avaliação, o dólar não está em taxas mais baixas porque alguns agentes macroeconômicos estão recomprando posições em dólar. “Se os fluxos continuarem, mais cedo ou mais tarde, haverá uma desova por parte dessas instituições e o dólar poderá retomar a trajetória de queda”, aposta Canuto.

Segundo ele, se a guerra não ocorrer ou se ela for curta é possível esperar um alívio rápido do preço do petróleo e uma redução da aversão internacional ao risco, com efeitos favoráveis sobre a economia brasileira. Para ele, a principal defesa do Brasil para enfrentar esse cenário internacional adverso é cuidar dos fundamentos fiscais e monetários.

O secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda afirmou ainda que governo continua confiante de que a meta de inflação ajustada de 8,5% para esse ano poderá ser atingida. Ele afirmou que a inflação vai recuar com a entrada da safra agrícola e com a tendência de estabilidade ou queda da taxa de câmbio. Sobre as previsões do mercado que apontam uma inflação em 2003 bem acima da meta ajustada, o secretário foi categórico: “As previsões do mercado não são profecias”.

Segundo ele, falta ao mercado um conjunto amplo de informações que são examinadas pelo Comitê de Política Monetária (Copom). O secretário ponderou que o regime de metas de inflação é “voltado para o futuro”. “Não é a inflação do mês do anterior”, disse ele, ressaltando que essa característica do sistema ainda não foi totalmente percebida pelo mercado.