A presidente da Petrobras, Graça Foster, disse nesta terça-feira (05), em São Paulo, que os acionistas devem “acreditar” em novo ciclo de valorização das ações da companhia. Ela reconheceu que a empresa tem sido “bastante prejudicada” na avaliação do mercado.

O preço das ações da empresa caiu fortemente nos últimos meses, revelando certa desconfiança dos acionistas em relação ao megaplano de investimento de US$ 224 bilhões em cinco anos. Graça prometeu manter o nível de investimentos nos próximos planos de negócios, cujo anúncio deve ocorrer “em algumas semanas”.

“O que digo aos acionistas da companhia é: “acredite no crescimento do valor de suas ações’. Nós temos sido bastante prejudicados na avaliação do mercado, [em relação ao] valor de nossas ações”, disse durante coletiva de imprensa após o evento que marcou um ano do lançamento do programa Progredir (programa de desenvolvimento de fornecedores).

Graça Foster falou pouco sobre as razões para esse declínio dos papéis da companhia no mercado de capitais. Sobre a defasagem do preço dos combustíveis no Brasil, uma das razões apontadas para a queda do valor de mercado da empresa, Graça tentou minimizar o fato.

Disse que a defasagem do preço dos derivados de petróleo em relação à cotação internacional do óleo tende a desaparecer com o novo ciclo de queda do preço do barril no mercado mundial -queda provocada pela crise dos principais mercados e da revisão do crescimento da China.

Segundo ela, os atuais preços de derivados no Brasil estão ligeiramente aquém do valor de US$ 89 o barril, nível alcançado no fechamento do mercado internacional de ontem.

Defasagem

“Sobre a defasagem [do preço do derivado no Brasil na relação com o mercado mundial], você verifica que está havendo uma redução do preço do barril do petróleo.” E complementou: “Como existe uma volatilidade muito grande, por muito pouco a gente volta a ter o combustível aqui com paridade ao do preço internacional”.

Ela não revelou qual foi o custo total que a companhia foi obrigada a suportar por ter um preço interno inferior ao equivalente no mercado internacional, mas disse que a preservação do mercado brasileiro pode garantir a recuperação desse valor.
“É bom ver crescer o mercado consumidor. A perda decorrente da defasagem é recuperada com o mercado grande num curto espaço de tempo”, acredita Graça.
Ela lembrou que durante “anos consecutivos” a Petrobras obteve ganho com a diferença do preço internacional do petróleo e o valor mais alto dos derivados no mercado interno.

Gigantismo

Graça Foster apelou para o gigantismo da Petrobras. O objetivo foi demonstrar que o atual valor das ações não corresponde às perspectivas reais da empresa. Segundo ela, entre dois e três anos, o nível de reservas provadas da Petrobras mais que duplicará, dos atuais 15 bilhões de barris de óleo equivalente para 30 ou 31 bilhões de boe (barris de óleo equivalente).

“Uma empresa com todos esses ativos, com todas essas reservas e com o conhecimento técnico dos 70 mil funcionários não pode estar com as ações nos preços que estão”, disse.

Progredir

A solenidade realizada hoje pela manhã em São Paulo marcou o primeiro ano de funcionamento do programa de desenvolvimento de fornecedores, o Progredir.
O programa reúne um grupo de dez bancos que ofertam crédito para o fornecedor da Petrobras, tendo como garantia o contrato da empresa com a estatal.

O objetivo é que esse estreitamento gere redução do custo financeiro para o fornecedor. Em um ano de funcionamento, o programa viabilizou 500 operações de crédito aos fornecedores, o que gerou empréstimos de R$ 2,33 bilhões no período.