Foto: Adriana Cardoso/Jornal do Iguaçu

Alguns caminhoneiros estão parados há quase vinte dias.

A greve dos auditores fiscais da Receita Federal, iniciada há cerca de cinqüenta dias em nível nacional, está causando prejuízos e levando muita gente ao desespero. Ontem à tarde, um grupo formado por dez caminhoneiros iniciou greve de fome por tempo indeterminado. Eles estão acampados na Estação Aduaneira de Foz do Iguaçu e pedem a intervenção do Ministério da Justiça para pôr fim à paralisação.

Alguns caminhoneiros aguardam liberação para seguir viagem há quase vinte dias. É o caso de José Irio Krause, que está com o caminhão carregado de adubo e fertilizante e aguarda a liberação há duas semanas. ?Iniciamos a greve à 1h da tarde. Por enquanto, somos apenas em dez, mas o grupo todo tem trinta pessoas e queremos que eles também façam greve de fome?, explicou Krause. Ele fez o carregamento no Porto de Paranaguá e vai levar a mercadoria ao Paraguai.

Além da Estação Aduaneira, muitos motoristas estão parados em postos de combustíveis da região. No pátio do porto seco são 700 caminhões estacionados. Por dia, são liberados 250 veículos com prioridade para cargas perecíveis, vivas e perigosas.

No Porto de Paranaguá, a estimativa da Unafisco Sindical (entidade que representa os auditores fiscais da Receita Federal) é que haja cerca de US$ 500 milhões em cargas que aguardam liberação no porto, principalmente peças para a indústria automobilística. Já no Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, a estimativa é que haja cerca de 150 toneladas de cargas aguardando liberação.

Prejuízos

De acordo com a NTC&Logística, que atua no setor de transportes, o segmento está tendo prejuízo de aproximadamente US$ 1,5 milhão por dia, por conta da paralisação dos auditores fiscais. Segundo a entidade, já passa de 5 mil o número de caminhões parados em diversos pontos de fronteira (como Uruguaiana, Foz do Iguaçu, São Borja, Dionísio Cerqueira, Chuí entre outros), à espera de liberação aduaneira, sem contar os milhares de veículos retidos em EADIs (Estações Aduaneiras do Interior) e nos terminais de empresas de transporte em todo o País.

?É preciso que se adote alguma providência, caso contrário a situação vai explodir?, alertou o presidente da NTC, Geraldo Vianna, com base em informações sobre as condições em que se encontram os motoristas desses veículos – longe de casa, sem as mínimas condições de conforto e higiene.

No início de junho Vianna sugeriu ao ministro Guido Mantega (da Fazenda) algumas medidas para amenizar a situação, mas até agora não teve qualquer resposta. Algumas das medidas sugeridas pela NTC&Logística referem-se à aplicação da Instrução Normativa 105/98, da Receita Federal, que permite a liberação das mercadorias, ficando a fiscalização para depois. Outra medida defendida pela entidade é uma parametrização mais favorável dos sistemas de verificação, de modo a aumentar significativamente a incidência do canal verde (de liberação da mercadoria sem fiscalização).

Valorização da carreira

Em todo o País, a cerca de 7.600 auditores fiscais da Receita Federal na ativa, cerca de 500 no Paraná. De acordo com o presidente da Unafisco Sindical em Curitiba, Norberto Sampaio, a principal reivindicação da categoria é a valorização da carreira, com um novo plano de cargos e salários. ?Queremos o reconhecimento do trabalho do auditor, que combate o contrabando e o descaminho?, apontou Sampaio. Com o novo plano de cargos e salários proposto pela categoria, o salário inicial passaria de R$ 7,5 mil para R$ 16 mil e o salário final de R$ 10 mil para R$ 20 mil.