Em todo o País, 200 mil
trabalhadores estariam parados.

A greve nacional dos bancários, que entrou ontem no sexto dia seguido – o quarto dia útil consecutivo – é a maior já realizada pela categoria desde 1990. Pelos cálculos da CNB (Confederação Nacional dos Bancários) da CUT, a paralisação atinge cerca de 200 mil trabalhadores em 18 estados.

Em Curitiba, cerca de 110 agências não abriram as portas ontem, segundo balanço do Sindicato dos Bancários de Curitiba. Segundo Marisa Stédile, presidente do sindicato, aproximadamente 3,5 mil funcionários estão de braços cruzados. Embora a maior parte das agências (cerca de 90%) atingidas pela paralisação seja do Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, funcionários do HSBC (cerca de 600, do Centro de Serviços), Itaú, Unibanco, Santander, Safra e Real também pararam, mas de maneira parcial. Uma assembléia da categoria estava marcada para ontem à noite. Segundo Marisa Stédile, a posição do sindicato é pela manutenção da greve, com a intenção de paralisar também as agências do interior do Estado.

Com as agências bancárias fechadas, muitas pessoas formaram ontem filas nas casas lotéricas e nos Correios. A intenção era pagar contas, uma vez que a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) avisou que não será dado perdão de multas.

Negociação

Na sexta-feira passada, os bancários entregaram para a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) uma correspondência avisando que estão dispostos a retomar as negociações salariais. Ontem, a Fenaban se dispôs a receber os bancários para uma reunião hoje.

A Fenaban informou, por meio de um porta-voz, que o diálogo com representantes dos bancários já foi retomado mas ainda não foi reaberta nova negociação formalmente. A categoria reivindica 25% de reajuste salarial e participação nos lucros no valor de um salário mais R$ 1.200,00. Já a Fenaban ofereceu 8,5% de reajuste e mais R$ 30 de adicional para quem ganha até R$ 1.500 por mês. A categoria dos bancários – composta por cerca de 380 mil trabalhadores – tem data-base em setembro.

Ação

O Ministério Público do Trabalho ingressou ontem com dissídio coletivo de greve no TRT-SP (Tribunal Regional do Trabalho) da 2.ª Região (São Paulo). O objetivo do dissídio é pedir o julgamento da greve dos bancários, iniciada na quarta-feira da semana passada.

Pelos cálculos do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, há 25 mil trabalhadores parados na região. No País, o movimento contaria com 200 mil bancários, segundo a CNB-CUT. O TRT-SP ainda não marcou a audiência de conciliação entre bancários e a Fenaban.