O endurecimento da Volkswagen diante das reivindicações dos trabalhadores em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, deve deixar a fábrica parada por mais 10 dias, segundo estima o advogado do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), Pedro Lapa.

Esse é o tempo mínimo para tramitar na Justiça o processo instaurado pela Volkswagen sobre o dissídio. A empresa, de acordo com o acompanhamento do SMC, instaurou na quinta-feira (5), primeiro dia de greve, a ação. “O Sindicato tem até a próxima sexta-feira para apresentar a defesa e vamos fazer para deixar que o Tribunal decida sobre o valor. Em 2004, eles fizeram isso e acabaram negociando um acordo depois“, avalia Lapa. O advogado estima que, se a empresa seguir sem propostas, a greve dure pelo menos mais dez dias, tempo mínimo para o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) receber a ação e convocar uma audiência de conciliação.

Na avaliação do SMC os dias parados servem para que a empresa efetue a manutenção e a readequação da planta em São José dos Pinhais. “São dias parados sem ônus para a empresa já que em uma greve os colaboradores estão passíveis de serem descontados nos dias não trabalhados”, esclarece Lapa.

A Volkswagen foi procurada pela reportagem do O Estado para esclarecer os pontos levantados pelo Sindicato. Como resposta, a empresa emitiu mais um comunicado reafirmando estar aberta as negociações com os funcionários de São José dos Pinhais dentro da “realidade do mercado e integrada ao desempenho da fábrica”. Porém, a nota não apresentou qualquer esclarecimento sobre as acusações do SMC em relação aos interesses da empresa de manter a greve.