Os governos federal e de São Paulo montarão um grupo de trabalho para avaliar os cálculos da indenização da usina hidrelétrica de Três Irmãos, administrada atualmente pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp). O secretário de Energia do Estado, José Aníbal, disse nesta segunda-feira, após reunião com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, que o primeiro encontro do grupo ocorrerá na quinta-feira, 14. Participarão técnicos da Cesp, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e do Ministério de Minas e Energia (MME).

A administração federal ofereceu R$ 1,7 bilhão como indenização pelos ativos não amortizados da usina de Três Irmãos, cujo contrato não foi renovado pela Cesp em 2012. A companhia, no entanto, calcula que o valor a receber é de R$ 3,529 bilhões. “O governo defende os números dele, mas nós questionamos. A nossa expectativa é que consigamos chegar ao valor ideal até a próxima semana. Saio confiante de que os nossos números são firmes e fundamentados, enquanto as contas da EPE me parecem aleatórias”, disse.

Aníbal acrescentou que a Justiça sempre é a última instância para resolver eventuais discordâncias. De acordo com ele, os cálculos do Poder Executivo federal não consideram boa parte dos custos para a construção da usina, além de outros gastos que estavam previstos em contrato, como a remoção de famílias da área afetada e da construção de um canal e eclusas na região do empreendimento. Como a Cesp não renovou a concessão de Três Irmãos e a hidrelétrica deve ir a leilão no início de 2014, o Executivo federal precisa indenizar a companhia, cujo maior acionista é o governo do Estado.