Empresários buscam saída para a violêrncia.

Três roubos de cargas de combustíveis a mão armada e mais sete tentativas de roubo foram registradas nos últimos 30 dias na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Enquanto no ano passado não houve nenhuma ocorrência desse tipo na região, em 2003 foram roubados 52 mil litros de diesel, 32 mil de álcool e 12 mil de gasolina, com prejuízo estimado em torno de R$ 110 mil. Ações conjuntas para combater esse tipo de crime foram discutidas ontem, na sede do Setcepar (Sindicato das Transportadoras de Cargas do Paraná), em Curitiba, entre representantes das transportadoras, distribuidoras, postos de combustíveis, Polícia Civil, Batalhão Metropolitano da Polícia Militar e Polícia Rodoviária Estadual.

Segundo a Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas, houve 137 roubos de carga no Paraná em 2003. Cinco envolvem combustíveis: em Marilândia do Sul, em janeiro; em Coronel Vivida, em junho; e no mês passado em Araucária, São José dos Pinhais e Campo Largo. “O aperto na fiscalização em São Paulo, que chegou a ter o maior número de cargas roubadas, pode ter feito a quadrilha migrar para cá”, aponta o presidente do Setcepar, Rui Cichella.

A Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas está investigando a interceptação de combustíveis no Estado, mas ainda não chegou aos criminosos. “O receptador preso em flagrante responderá perante a Justiça por roubo e receptação, e em conseqüência, terá uma punição administrativa pela sonegação, além de ter cassada a licença do posto”, informa o delegado-adjunto da especializada, Ronald de Jesus. “Nunca descartamos a participação do motorista”, explicou, ressaltando que a delegacia fará diligências e rondas na área das ocorrências. Denúncias podem ser feitas pelo fone (41) 362-4737.

Os roubos têm acontecido nas proximidades da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, conforme relata o coordenador de filiais da Tropical Transportadora Ipiranga, Josê Mecabô: “Nosso motorista saiu carregado da base às 6h e foi abordado às 6h10. Três indivíduos saíram de uma Kombi, um deles apontou uma arma. Mandaram o motorista sentar no meio e o encapuzaram. Com os olhos vendados, o motorista foi deixado em São José dos Pinhais próximo ao viaduto da BR-101, dentro da Kombi. Após uma hora rodando, avisaram que ele deveria seguir pela direita, sem olhar para trás, que iria encontrar o caminhão. Pelo celular, ele ouviu que o ?serviço? já estava feito. Em 27 anos que trabalho na Ipiranga, é a primeira vez que isso ocorre”.

Depois do episódio, a empresa orientou os motoristas a não saírem mais à noite e a seguirem em comboio. Outra medida adotada pelas transportadoras é o investimento em rastreamento via satélite. “Em média, o equipamento encarece em 10% o custo do frete”, salienta o presidente do Setcepar. O equipamento para rastreamento custa R$ 4,5 mil a R$ 9 mil por caminhão, enquanto o uso do satélite sai por R$ 400 mensais.

Sonegação

O número de ocorrências apresentado na reunião refere-se somente aos transportadores ligados às distribuidoras de combustíveis, que representam 35% do volume que sai da Repar. “Se computarmos os 65% de transportadores FOB (donos de postos), a estatística seria muito maior”, frisa o presidente do Sindicombustíveis/PR, Roberto Fregonese, que prometeu repassar para a Polícia os dados dos postos das regiões suspeitas de fraudes. Pelo volume elevado de combustível desviado (32 mil litros), os postos receptadores não são pequenos, comenta Fregonese.

A Polícia Militar e a Rodoviária prometeram intensificar a presença nos locais mais visados e nos terminais das distribuidoras, em Araucária. O Setcepar, por sua vez, centralizará as informações sobre as ocorrências para repassar aos órgãos de segurança.