O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta quarta-feira (21) que a alta do dólar no Brasil é reflexo da crise europeia e descartou medidas imediatas para conter a valorização. O valor da moeda americana ultrapassou a marca de R$ 1,80 nesta quarta-feira, fechando a R$ 1,84.

“A alta do dólar no Brasil e em outros países reflete aversão ao risco que ocorre por causa da demora na resolução dos problemas europeus”, disse o ministro a jornalistas brasileiros ao desembarcar em Washington.

Segundo o ministro, se houver apenas uma “piora relativa” na crise, a tendência é de uma movimentação gradual da moeda, “perfeitamente assimilada pela economia”.

“É claro que, se houver uma forte desvalorização, pode preocupar, mais pelos efeitos que pode ter com alguns devedores brasileiros”, disse.

“Mas para que isso aconteça é preciso um grande agravamento da crise”, disse. “Se a coisa ficar feia, então nós vamos ter que repensar tudo e ver o que precisa ser feito”.

De acordo com o ministro, a valorização do dólar indica uma piora da crise internacional, que pode levar à queda de preços de commodities.

“Se de fato houver um agravamento da crise, significa, as variáveis vão se modificar. Se caem os preços de commodities então não há pressão inflacionária”, disse.

A alta da inflação é uma preocupação do governo brasileiro, que vem tentando trazer a taxa de volta ao centro da meta, de 4,5%, até o próximo ano. Neste ano, há o risco de que a taxa de inflação feche acima do teto da meta, de 6,5%.

“Então uma coisa compensa a outra. Se por um lado a valorização do dólar pode trazer alguma pressão inflacionária no Brasil, por outro lado, a piora da crise, com a deterioração dos preços das commodities, traz uma queda”, disse Mantega.

“A alta do dólar no Brasil e em outros países reflete aversão ao risco que ocorre por causa da demora na resolução dos problemas europeus”. Mantega observou ainda que a menor valorização do real traz alguns benefícios para a produção industrial e os exportadores brasileiros.

A grande valorização do real frente ao dólar verificada nos últimos meses é motivo de reclamações do setor no Brasil, já que acaba prejudicando a competitividade das exportações no mercado internacional.