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Reciclagem de lixo da Prefeitura: exemplo.

Ainda são poucas as empresas que buscam alternativas de reciclagem para os resíduos do processo de produção. Existem mais de 50 tipos de materiais pesquisados que poderiam ser reutilizados na fabricação de novos produtos, mas ainda não são aproveitados. A afirmação foi feita pelo professor titular visitante do Laboratório de Tecnologia Ambiental da Universidade Federal do Paraná, Vsêvolod Mymrine, durante o workshop ?Inovação, empreendedorismo e resíduos sólidos?, promovido ontem pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar).

Segundo o professor, que integrou a equipe vencedora do Prêmio Nobel de Física pelo desenvolvimento do raio laser em 1964, há muitos tipos de resíduos que já poderiam ser reaproveitados, mas ainda são jogados no meio ambiente. Além de poluir, as empresas também deixam de ter lucros com essas ?sobras?.

Ele explica que com os restos das indústrias siderúrgicas e de cerâmicas seria possível produzir tijolos 15 vezes mais baratos que os usuais. A serragem e outros materiais provenientes da indústria madeireira, mais garrafas PET picadas, também poderiam ser usados para a fabricação de pisos e placas divisórias. Além disso, os rejeitos do carvão mineral, altamente tóxicos, misturados a outros produtos têm poder calorífico até 50% maior do que o próprio carvão.

A legislação ambiental determina que os próprios geradores dêem uma destinação correta aos seus resíduos. Mas Vsêvolod diz que durante os seis anos de permanência no Brasil, apenas uma empresa quis investir na pesquisa de tecnologias para reaproveitar esse tipo de material. O lodo gerado por uma empresa da região metropolitana, rico em metais pesados, servirá de matéria para a produção de tijolos. ?Infelizmente, até agora, o interesse foi pequeno?, falou.

Para a gerente da Incubadora Tecnológica de Curitiba, Rosi Mouro, aos poucos as empresas começam a se interessar pelo assunto. Na incubadora já hás duas empresas nessa área. Uma delas investe no chorume gerado pelos aterros sanitários e outra do lixo orgânico. Além disso, designers de produtos estão começando a se interessar pelo assunto. A maioria dos produtos existentes hoje é destinado à construção civil. ?Podem ser criados artigos para escritórios, móveis, entre outros?, esclarece Rosi.