O professor da Faculdade de Economia e Administração (FEA), da Universidade de São Paulo (USP), e conselheiro do Corecon-SP Heron do Carmo defende que o Banco Central reduza o centro da meta de inflação para 4,00%, mantendo o intervalo de dois pontos porcentuais para cima e para baixo. Segundo ele, uma meta de inflação mais apertada seria uma indicação do BC para o mercado de que adoção de uma taxa de juros mais elevada, se necessário. A mudança, para Heron, ajudaria também a gerenciar as expectativas do mercado para a inflação.

“Quando se tem um choque de oferta, o BC reage, tentando convergir a inflação para o centro da meta, mas sempre acaba ficando no meio do caminho”, afirmou Heron, lembrando que a autoridade monetária não tem conseguido sucesso na convergência da inflação para a meta. Para este ano, ele prevê que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) não atinja a meta e fique em 5,12%.

Na opinião do professor, a redução do centro da meta de 4,5% para 4,0% teria um efeito benigno sobre a inflação porque o País se defronta com um problema antigo. “Estamos com uma dúvida que já tínhamos antes: como fazer com que a inflação saia de um nível de 5% ao ano para uma taxa entre 2% e 3%”, disse Heron, durante a palestra “Perspectivas para a Inflação em 2012”.

Segundo ele, é melhor a elevação dos juros do que uma inflação na casa dos 5% ao ano, como a taxa atual. “O Banco Central nunca testou essa hipótese. Em certas situações, é preciso ser radical. Se ele quiser manter o centro da meta em 4,50%, tudo bem, mas reduz a banda, pois isso é uma sinalização de diminuir a meta.”

Heron do Carmo disse que a taxa básica de juros tem sido decidida com o objetivo de evitar que os choques se propaguem, em vez de buscar a convergência da inflação para a meta. “A elasticidade da Selic é muito baixa. Seria necessário um mega aumento dos juros para se ter um resultado significativo sobre a inflação”, disse.