Ser milionário é um sonho distante para a grande maioria da população, mas que, aos poucos, está se tornando real. O número de brasileiros que ultrapassaram o saldo de R$ 1 milhão na poupança está aumentando e no ano passado chegou a 11.362 poupadores, de acordo com o Banco Central.

Ao mesmo tempo cresce também o número de novas contas abertas, com poupadores que comemoram hoje o Dia Mundial da Poupança e têm a esperança de chegar ao grupo dos milionários. Dados da Caixa Econômica Federal (CEF) mostram que entre janeiro e setembro deste ano foram abertas 315 mil novas cadernetas de poupança no Paraná, chegando a 3,6 milhões de poupadores que juntos têm o saldo de R$ 17,2 bilhões. Cada um guarda, em média, R$ 4,7 mil.

Para o gerente de desenvolvimento de negócios da cooperativa de crédito Sicredi, Adilson Félix de Sá, o aumento se deve à popularização da poupança e a facilidade de acesso. “A poupança está consolidada como o principal meio para reserva de recursos. Não no volume financeiro, mas no número de pessoas”, avalia ele, que também a destaca como um meio democrático, pois é acessível a qualquer pessoa, independente de sua renda.

Mesmo assim, 68% dos brasileiros ainda não possui nenhum tipo de reserva financeira. “A reserva financeira é importante, principalmente com o aumento da expectativa de vida”, completa o gerente. Além disso, investimento em poupança garante financiamentos para a população, uma vez que o montante aplicado nas poupanças é destinado a financiamentos imobiliários e créditos rurais.

No cofrinho

Desde pequeno, o aposentado Erivelto Spena Camargo, 60, foi estimulado pela sua mãe a poupar. Em suas lembranças mais antigas estão as idas ao banco para fazer depósitos na caderneta de poupança, hábito que o acompanhou durante toda a vida e garantiu segurança para sua família, na construção de sua casa e no pagamento dos estudos de seus filhos. “Lembro que era bacana, antes levávamos uma caderneta e o registro era manual, com um carimbo. Foi um aprendizado para o futuro”, conta.

Com os filhos crescidos e agora aposentado, Camargo colhe os benefícios de ter poupado desde a infância. “Tenho uma filosofia de vida: a gente nasce e brinca bastante quando criança, depois começam os compromissos com estudo e trabalho, mas depois que a gente se aposenta pode voltar a ser criança. Aí começa a viver a vida. Poupo pra saúde e quero aproveitar”, garante.

O relato de Camargo, porém, ainda não é regra entre as crianças e adultos brasileiros, que não adquiriram o hábito de poupar. Iniciativas realizadas pelo Sicred e pelo educador financeiro Reinaldo Domingos levam para as escolas a educação financeira. “Levamos a importância de ter uma reserva, uma poupança”, afirma Adilson. Como já acontece há décadas, um dos elementos mais forte no contato com as crianças é o uso do cofrinho.