O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, afirmou nesta terça-feira, 7, que há “sinais claros de retomada do investimento no Brasil”. Segundo ele, a recuperação da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) está ocorrendo em várias áreas, especialmente na produção de máquinas e equipamentos. “Há aumento da produção de bens de capital e isso é a prova de que há investimentos”, disse.

Na avaliação do secretário, um dos elementos que estão colaborando de forma expressiva para a ampliação da FBCF no País é a política do governo de desonerações tributárias para o setor produtivo. “Mais de 50% das desonerações são voltadas para o investimento”, afirmou. Holland participa nesta terça-feira do Fórum de Economia “Crise Econômica e o Futuro do Mundo”, promovido em São Paulo pela Revista Carta Capital.

Durante sua exposição no evento, o secretário acrescentou que “a absorção de bens de capitais no Brasil cresceu sensivelmente no 1º trimestre”. De acordo com ele, neste ano, mais de R$ 16 bilhões entraram no caixa das empresas por meio de desonerações.

Juros

Segundo ele, a política do governo de combater a inflação ao mesmo tempo com a geração de emprego e a ampliação da inclusão social permitiu que no Brasil ocorresse a combinação de política monetária e fiscal. Segundo ele, essa combinação colocou a taxa de juros do País em níveis internacionais, o que, para ele, foi uma das principais conquistas do Brasil nos últimos anos.

De acordo com ele, a taxa de juros real ex-ante estava em 7,7% antes da crise em 2008. Nos últimos dias, essa taxa estava em 2,3%, inferior inclusive aos 3,0% registrados pela China. Holland destacou que o Brasil apresenta bom desempenho da economia, com crescimento e baixo nível de desemprego, apesar da crise internacional ser bastante intensa e já durar cinco anos. “No Brasil, usa-se a política monetária convencional combinada com crescimento”, afirmou.

Para o secretário, a gravidade da crise internacional levou bancos centrais de países avançados a adotar políticas de afrouxamento quantitativo, especialmente porque a taxa de juros nominal atingiu o limite de 0%. Em função disso, tais instituições foram responsáveis por grande parte do aumento da liquidez internacional dos últimos anos, que somou de US$ 9 trilhões. Um dos fatores que levaram os governos desses países a utilizar esse instrumento não convencional de política monetária foi limitação fiscal.

Segundo Holland, essa realidade internacional promove um grande debate entre autoridades econômicas mundiais, sobre a dificuldade de administrar o fluxo de recursos. “E o Brasil, apesar dessa situação extraordinária em nível global, soube muito bem como lidar com ela”, disse.