Os produtores do Paraná vão poder contar com nove novas variedades de cultivares, desenvolvidas e lançadas pelo Iapar em 2004 a partir do ano que vem. São sementes de algodão, arroz, trigo, triticale, de café, de milho branco e três variedades de feijão. “Essas sementes melhoradas vão contribuir para a redução de custos de produção e diminuição de impacto ambiental pelo uso de agrotóxicos”, informou o diretor-presidente do Instituto Agronômico do Paraná, Onaur Ruano. Além de aumentar receitas na produção, o produtor que utilizar as cultivares estarão contribuindo para injetar mais recursos financeiros no Estado.

Ruano explicou que se houver a ocupação de apenas 10% da área pelas novas variedades, a partir da próxima safra, os agricultores e a economia paranaense passarão a incorporar um aumento de receita estimado em R$ 37 milhões, apenas no primeiro ano agrícola de sua utilização. “Com a maior disponibilidade de sementes ofertadas ao setor produtivo para os anos seguintes, a expansão de área ocupada contribuirá para ampliação desses benefícios”, acredita o diretor presidente do Iapar.

Café e custos de produção

Em relação à nova semente de café IPR 98, Onaur Ruano esclareceu que a variedade reduz custos de produção e que, entre outras qualidades, apresenta resistência a todas as raças de ferrugem do cafeeiro. “Se estimarmos uma ocupação de 10% da área de cafeicultura do Paraná, nessa área deixarão de ser utilizados aproximadamente 380 mil quilos de fungicidas anualmente, no controle da ferrugem, isso significa que pode proporcionar uma economia aos cafeicultores, no custo de produção, em torno de R$ 7,35 milhões, sem contar o imenso benefício ao meio ambiente, uma vez que quase 400 mil quilos de agrotóxicos deixarão de ser lançados nas lavouras”, ressaltou.

Essa semente de café é indicada para o plantio adensado, produzindo 7 mil a 10 mil plantas por hectare. Considerada uma boa opção para a cafeicultura familiar orgânica, além de dispensar agrotóxico para controle da ferrugem, otimiza o uso de mão-de-obra e possibilita explorar com mais eficiência as áreas de lavoura na propriedade.

Outras sementes

A cultivar de trigo IPR 118 foi desenvolvida e testada pelo Iapar por três anos e meio. Indicada para as regiões Norte, Centro-Oeste, Oeste e Sul do Estado, para solos com até 35% de saturação de alumínio no solo. Resistente à ferrugem da folha e moderadamente resistente à ferrugem do colmo e à brusone, tem um potencial de produtividade em lavouras comerciais, de 3 mil a 5 mil quilos por hectare.

A triticale IPR 111 apresenta alto rendimento de grãos e rusticidade. Aproveitada principalmente na fabricação de biscoitos e de rações, também é resistente à ferrugem da folha e do colmo. O espigamento médio da planta ocorre em 70 dias e está indicada para todas as regiões tritícolas do Estado.

A semente do algodoeiro IPR 120 apresenta alto potencial produtivo e ampla adaptação, com bom desempenho em solos argilosos. De acordo com os técnicos do Iapar, tem bom rendimento no descaroçamento e ótimo equilíbrio nas características de fibra.

A semente do arroz IPR 117, produzida pelo Instituto Agronômico do Paraná apresenta-se como uma boa opção na rotação de culturas em áreas atualmente cultivadas com soja e milho. Adaptada a todas as regiões, tem ciclo médio de 130 dias e é moderadamente resistente à seca. Os grãos são de classe longo, com alto grau de translucidez, e depois de cozidos são soltos e macios, mesmo após o resfriamento.

Milho branco, ou IPR 119, tem alto potencial produtivo e qualidade industrial. Com ampla adaptação em todo o Estado, apresenta boa tolerância ao acamamento e quebramento. A média de produção é de 50 mil a 55 mil plantas por hectare.

A cultivar de feijão Chopim pertence ao grupo comercial preto, e registra um alto potencial de rendimento. Resistente à ferrugem, apresenta rendimento médio de grãos superior à outras sementes similares. O potencial produtivo é de 3.417 quilos por hectare.

A outra variedade de feijão, IPR Saracura, pertence ao grupo comercial carioca e rende aproximadamente 3.829 quilos por hectare. Com excelente teor de proteína, leva em média, 20 minutos para cozinhar.

Já o feijão IPR Colibri, também do grupo carioca, é de ciclo precoce e tem potencial produtivo de 3.971 quilos por hectare. Com alto teor de proteínas (22,68%), leva em média 22 minutos para o cozimento, mantendo 96% dos grãos inteiros. Embora não tenham sido realizados estudos específicos para se determinar o grau de tolerância do material, observações de campo do Iapar mostraram bom comportamento frente aos períodos de déficit hídrico e de temperaturas elevadas durante o florescimento.

Ao receber amostras das novas cultivares, o secretário Pessuti destacou o trabalho do Iapar, leal ao programa de governo e à responsabilidade para com a sociedade do Paraná. “Como bem sabemos, a equipe de servidores do Instituto Agronômico busca soluções para os problemas da agropecuária paranaense, e a sua contribuição para a criação de variedades de plantas, possibilita aos agricultores produzir com melhor qualidade e rentabilidade”, ressaltou Pessuti.