Os alimentos foram os principais responsáveis para que, nos 12 meses encerrados em agosto, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficasse em 4,49% – abaixo dos 4,5% do centro da meta de inflação do governo para este ano. O índice de 4,49% é o menor desde dezembro do ano passado, segundo observou hoje a coordenadora de índices de preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eulina Nunes dos Santos.

Ela destacou que, em agosto, a inflação mensal medida pelo IPCA ficou “zerada” pelo terceiro mês consecutivo, chegando a 0,04%, após variação zero em junho e ligeira alta de 0,01% em julho. No acumulado dos últimos três meses (junho, julho e agosto), o IPCA subiu apenas 0,05%. “Se a taxa fosse divulgada com uma só casa, isso equivaleria a zero”, sublinhou. No mesmo período acumulado, os alimentos registraram queda de 1,89%, com recuos em junho (baixa de 0,90%), julho (queda de 0,76%) e agosto (retração de 0,24%). “Os alimentos têm tido influência muito expressiva na inflação deste ano”, disse.

Apesar da trajetória favorável dos preços dos itens alimentícios nos últimos meses, Eulina destacou que, na passagem de julho para agosto, houve uma pequena aceleração nesse grupo de produtos, influenciada por problemas climáticos no Brasil e em países como a Rússia, com impacto em produtos como trigo e soja. Como isso, o grupo dos alimentos reduziu o ritmo de queda no período, sob o impacto de itens como óleo de soja (alta de 2,67% em agosto ante queda de 0,88% em julho) e pão francês (aumento de 1,08% em agosto ante baixa de 0,38% em julho).

“Há sinais claros de arrefecimento na queda dos preços dos alimentos”, disse Eulina. Ela ressaltou, porém, que “será preciso esperar os resultados dos próximos meses para avaliar a extensão” desse arrefecimento. Segundo ela, para o IPCA de setembro, as únicas pressões já conhecidas sobre a taxa são os reajustes de energia elétrica em Belém e em Brasília e da taxa de água e esgoto em São Paulo.