Se no próximo fim de semana o seu telefone não tocar, não estranhe. O problema não está no seu aparelho, mas no reajuste médio de 28,75% nas contas de telefonia fixa autorizado na última semana. O Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) está organizando um protesto para tirar todos os telefones do gancho por algumas horas e reduzir as receitas das operadoras na marra. Além disso, o instituto vai apoiar um movimento organizado pela internet que pretende parar as comunicações do País por 48 horas.

O boicote também inclui os telefones celulares, que tiveram aumento no início do ano, e é uma “represália” aos aumentos contratuais, que geraram mal-estar até dentro do próprio governo. “A sociedade, que há anos vê a sua renda despencar, não pode ficar refém de reajustes perversos”, diz coordenadora executiva do Idec Marilena Lazzarini. “Quando as conseqüências se refletirem no caixa das empresas o consumidor passará a ser tratado com mais respeito.”

A paralisação proposta pelo Idec seria na quinta-feira da próxima semana (10). Das 12h às 14h, os consumidores devem tirar os telefones do gancho. Durante o resto do dia, eles podem utilizar o telefone “o mínimo possível.” Já o protesto organizado pela internet propõem que os consumidores abandonem seus aparelhos durante todo este fim de semana (dias 5 e 6).

Ésta não é a primeira vez em que se tenta calar os telefones do país. Há cerca de um ano, o mesmo email circulou pela internet tentando convencer os usuários do país a desligar seus telefones celulares por 24h.

O movimento “Desliguem seus celulares no domingo 07 de julho de 2002?? – data escolhida no ano passado – teve origem no Rio Grande do Sul e chegou a usuário de todo o país e até de brasileiros que moram nos EUA. Segundo a mensagem, para promover o “caladão?? nacional não seria preciso “quebrar ou queimar nada??, mas apenas desligar o aparelho. Este ano o movimento escolheu uma nova data e decidiu incluir os telefones fixos no protesto.

Como a mensagem do ano passado começou a circular com dois meses de antecedência, poucas pessoas se lembraram dela quando o dia marcado chegou.

Segundo o Idec, que também deu apoio ao movimento de 2002, o consumidor deve aproveitar essa oportunidade para aprender a reduzir o uso do telefone todos os dias, fazendo ligações mais sucintas ou utilizando outros meios de comunicação. Além de propor o boicote como medida “eficiente e legítima”, o Idec colocou no seu site (www.idec.org.br) um modelo de carta para que os consumidores protestem contra as empresas e a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) – outras informações sobre o aumento dos telefones na página 23).