O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, reafirmou nesta quinta-feira, 3, durante evento do Goldman Sachs em São Paulo, que o cenário internacional é benigno. Segundo ele, isso contribui “para um ambiente mais sereno nos mercados de ativos brasileiros”.

“De fato, o cenário externo tem se mostrado favorável, na medida em que a atividade econômica global tem se recuperado gradualmente sem pressionar as condições financeiras nas economias avançadas”, afirmou. “O arrefecimento de possíveis mudanças de política econômica em alguns países centrais também contribui para a redução das incertezas.”

De acordo com Ilan, este ambiente tem contribuído para a “manutenção do apetite ao risco por ativos de economias emergentes”.

Reajustes de combustíveis e energia

Ilan minimizou o impacto dos reajustes nos preços dos combustíveis e da energia elétrica sobre os rumos da política monetária. Durante discurso no evento, ele disse que “essas oscilações pontuais – em particular dos reajustes de preços de combustíveis e de energia elétrica, que têm sido mais voláteis – não têm implicação relevante para a condução da política monetária”.

Ele citou que o aumento recente do PIS/Cofins sobre combustíveis terá impacto total na inflação medida pelo IPCA de cerca de 0,45 ponto porcentual, distribuído entre os meses de julho e agosto. Já o impacto da mudança da bandeira tarifária de energia elétrica será de aproximadamente 0,15 ponto porcentual em julho.

“De forma geral, o comportamento da inflação permanece favorável”, disse Ilan. “O processo de desinflação se difundiu, se consolidando nos componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária. Assim, até o momento, os efeitos de curto prazo do aumento de incerteza quanto ao ritmo de implementação de reformas e ajustes na economia não se mostram inflacionários nem desinflacionários.”