Gerson Klaina/O ESTADO
PLR de R$ 4,6 mil foi rejeitado: sindicato exige mesmo valor pago em Taubaté, de R$ 5,6 mil.

O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) contestou, na tarde desta terça-feira (10), as informações do comunicado emitido pelo Volkswagen do Brasil, na noite de segunda-feira, sobre os índices de desempenho da unidade de São José dos Pinhais. A empresa está em greve há seis dias devido à negociação da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) 2011 que parou com a proposta de R$ 4,6 mil, para a primeira parcela.

Um dos pontos mais repudiados pelo Sindicato envolve a produtividade da planta paranaense que, segundo a empresa, teria crescido apenas 3% no intervalo de quatro anos, enquanto as unidades de São Bernardo do Campo e Taubaté cresceram 42%. De acordo com o SMC a informação leva ao erro já que desde 2005 a unidade no Paraná opera no limite da capacidade, ou seja, em três turnos.

Em São Paulo, a unidade de Taubaté só passou a trabalhar com o terceiro turno em 2009. “Em São José dos Pinhais só se pode atingir um crescimento tão expressivo se ampliar a planta e contratar mais pessoas ou aumentar ainda mais as horas trabalhadas na unidade, só que essa última é desastrosa do ponto de vista dos acidentes de trabalho”, apontou o presidente do SMC, Sérgio Butka.

“A Volks entrou com dissídio. Partiu dela a radicalização da negociação da PLR, mas queremos que o Tribunal julgue, pois há má fé da empresa. Eles querem justificar para os acionistas porque querem investir em São Paulo em detrimento de São José dos Pinhais que é uma das plantas mais eficientes e produtivas do grupo”, acusa Butka.

Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PR), enquanto a Volks no Paraná precisa de 3,7 trabalhadores para produzir um carro por dia, em São Paulo são necessários 6,7 pessoas.

“Na Volskswagen de São José dos Pinhais a PLR deveria ser superior aos R$ 5,2 mil pagos ao ABC, já que os funcionários daqui ganham, em média, 50% menos do que os de lá e tem uma produtividade quase 50% maior do que as unidades de São Paulo“, compara o economista do Dieese Cid Cordeiro.

Leia mais: