O impasse entre republicanos e democratas aprofundou-se ao longo do final de semana, ao contrário do esperado, e tornou quase impossível o consenso entre os dois partidos para a aprovação no Congresso da elevação do teto da dívida dos Estados Unidos. O prazo vence em 2 de agosto. Hoje, os dois lados mostravam-se encastelados em suas posições originais, e um novo confronto emergiu com a nova proposta apresentada por John Boehner, presidente da Câmara dos Deputados, à bancada republicana.

De mãos atadas, o presidente dos EUA, Barack Obama, convocou seus líderes no Congresso para uma reunião de emergência na Casa Branca, da qual não saiu nenhuma alternativa. Os democratas passaram todo o final de semana discutindo uma fórmula capaz de ser aceita por toda a sua base nas duas Casas do Congresso e também por boa parte dos republicanos da Câmara, onde a oposição tem a maioria dos votos. As discussões continuam amanhã.

As movimentações das autoridades americanas tiveram também o objetivo de impedir uma nervosa abertura das bolsas de valores asiáticas e uma nova onda de pessimismo no mercado financeiro. Assim Boehner explicou seu novo projeto de redução de cerca de US$ 4 trilhões na dívida até 2022. A iniciativa traria um agrado aos democratas – o aumento de US$ 800 milhões na arrecadação. Entretanto, estancou um possível diálogo com a Casa Branca ao permitir o aumento de apenas US$ 1 trilhão no teto da dívida pública, hoje de US$ 14,3 trilhões.

Essa cifra evitaria a declaração de suspensão de pagamentos pelo Tesouro no próximo dia 3. Exigiria, porém, novas negociações no Congresso sobre uma segunda alta do teto da dívida no início de 2012, desta vez em um ambiente mais contaminado pela eleição presidencial de novembro. Depois do colapso de suas negociações com Boehner, na sexta-feira, um furioso Obama advertiu ao próprio presidente da Câmara, no dia seguinte, não aceitar essa solução de curto prazo. Explicou que ela alimentaria a incerteza sobre a capacidade de o país pagar a dívida ao longo de 2012.