As incertezas em relação à demanda são a principal limitação ao apetite de empresários para investir nos próximos 12 meses, segundo os dados da Sondagem de Investimentos referentes ao segundo trimestre, divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV), nesta quarta-feira, 17. No comércio e na construção, a demanda preocupa quase dois terços dos empresários que disseram haver impedimento para investir. Na indústria e nos serviços, pelo menos metade vê com reservas o cenário para o consumo no futuro próximo.

Os piores resultados são observados na construção, setor em que 66% dos empresários veem alguma limitação ao investimento, quase o dobro do verificado no último trimestre de 2014. Desses, 67% apontam incertezas em relação à demanda. Em segundo lugar, pesa a limitação de recursos da empresa (41%), seguida de carga tributária elevada (38%) e limitação de crédito (36%).

No comércio, 31% das empresas veem algum entrave à realização de investimentos, a menor fatia entre as atividades. Porém, a demanda preocupa 62% desses empresários. Também atrapalham a carga tributária elevada (52%) e o custo de financiamento (38%).

Os empresários da indústria são, depois da construção, os que mais percebem obstáculos aos investimentos: 59%. Desse contingente, 57% não se sentem seguros em relação à demanda, o maior porcentual já registrado na série, iniciada, no caso da indústria, em 2004. A limitação de recursos da empresa (44%), o custo de financiamento (35%) e a carga tributária elevada (35%) também são limitações.

Nos serviços, em que 42% dos empresários acusam entraves aos aportes, a maior preocupação também é a demanda (53%). Também atrapalham a limitação de recursos da empresa (46%) e a carga tributária elevada (50%).

A Sondagem de Investimentos investiga, desde 2004, a tendência dos investimentos no setor industrial. No quarto trimestre do ano passado, a pesquisa trouxe pela primeira vez dados referentes ao comércio, aos serviços e à construção. Na edição divulgada hoje, o levantamento exibiu, pela segunda vez, informações para as quatro atividades, referentes ao segundo trimestre de 2015. A coleta de dados para a sondagem divulgada hoje se deu entre 01 de abril e 29 de maio. Foram ouvidas, no total, 3.765 empresas.