Todo ano milhares de pequenas e microempresas brasileiras baixam as portas, engrossando as estatísticas de empreendimentos que não sobrevivem aos primeiros anos de vida. Falta de preparo, de dinheiro, de experiência ou de oportunidade? Bastam um ou dois desses fatores, e o resultado será uma taxa de mortalidade média de 50% das empresas no primeiro ano de vida, conforme estimativa do Serviço de Apoio à Pequena Empresa (Sebrae). Para driblar tamanho insucesso, as incubadoras surgiram como uma alternativa para quem pretende permanecer no mercado. O índice de sobrevivência dessas empresas, segundo a Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores), chega a 93%.

?O movimento de incubadoras no Brasil nasceu a partir da visão de universidades empreendedoras e inovadoras e tem se consolidado dessa forma?, explicou o presidente da Anprotec, José Eduardo Fiates, lembrando que hoje a maioria das incubadoras está ligada a instituições de ensino e pesquisa. O assunto será amplamente debatido durante o XV Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas, organizado pela Anprotec. O evento ocorre entre os próximos dias 6 e 9 no Estação Embratel Convention Center, em Curitiba.

Direcionamento

Para Silvestre Labiak Júnior, da Rede Paranaense de Incubadoras Tecnológicas (Reparte), o grande diferencial das incubadoras é o direcionamento em termos de consultoria. ?O grande lance é que uma incubadora é a universidade do empreendedor. Ela direciona as pessoas nas áreas de marketing, financeira, gestão de informação, mostra como patentear um produto?, explicou Labiak. Em média, as empresas ficam dois a três anos incubadas para então se lançarem no mercado. ?A chance de darem certo aumenta de 20% para quase 90%?, disse.

Além disso, o custo – média de R$ 350 a R$ 400 por mês -, lembrou Labiak, ainda é bem menor se comparado às vantagens finais. ?Uma hora de consultoria, por exemplo, custa R$ 100 (preço do mercado). E muitos nem sabem que tipo de consultoria necessitam.? Outra vantagem em ter uma empresa incubada é o acesso a novos mercados, a participação em feiras. ?A concepção do negócio é questionada a todo instante, há um forte senso crítico. Coisas a que um empreendedor comum não tem acesso.?

Poucas vagas

Se são tantas as vantagens oferecidas, por que a maioria das empresas ainda insiste em se lançar no mercado sem antes passar por uma incubadora? A resposta é simples: não há vagas para todos. ?Existem poucas incubadoras. No Paraná, são 19 associadas à Reparte para um total de 399 municípios?, apontou. Só no Cefet-PR, lembrou, sete ou oito empreendedores disputam uma vaga a cada seleção. ?A procura é muito grande.? Outro problema, citou Labiak, é o fato de a divulgação da incubadora se restringir ao meio acadêmico. ?Muitos desconhecem esse instrumento e não sabem que se trata de um agente de inovação e capacitação empresarial.?

Só no ano passado, 1.580 empresas saíram das incubadoras graduadas em todo o País. No Paraná, foram cerca de 50. ?Parece pequeno, mas é um número bom. Pelo menos a gente tem a certeza de que não vão morrer?, afirmou Labiak, lembrando que a chance de sobrevivência delas é de 90%. No caso específico do Paraná, a concentração maior das incubadoras é em empresas de tecnologia. ?Qualquer empresa do setor tradicional, inclusive cooperativas e empreendimentos culturais, pode participar. O que acontece é que no Paraná há uma segmentação forte e universidades ligadas à área de tecnologia.?

Quem se interessar pelo tema deve, primeiramente, manter contato com as incubadoras, para saber quando serão abertos os editais. A próxima seleção, segundo Labiak, ainda não foi divulgada. Uma vez selecionado, o futuro empreendedor pode ter direito a até R$ 200 mil a fundos não reembolsáveis. ?A pessoa recebe viabilidade técnica e econômica: R$ 50 mil para fazer a pesquisa e até R$ 150 mil para construir o protótipo?, explicou. Os recursos provêm tanto do governo estadual quanto federal. ?Essas empresas dão certo porque tiveram suporte para começar?, arrematou.

Shopping das incubadoras apresenta novidades

Chocolate em gesso, tatames moduláveis, lavadora ultra-sônica, medidor de fumaça e embalagens de resíduos de madeira (todos com utilidade muito prática) são algumas das novidades que ficarão à disposição da curiosidade de todos no ?Shopping das Incubadoras?, no Estação Embratel Convention Center.

Serão 31 empresas de todo o Brasil expondo suas invenções, muitas das quais já estão no mercado. É o caso da máquina reprocessadora de filtro de hemodiálise – criada em Campo Mourão e uma das quatro existentes no mundo. A empresa criadora, Saubern, já tem sete unidades do produto instaladas no Paraná, e deve iniciar sua exportação em 2006, trazendo benefícios para a folha de pagamento de hospitais e do governo.

Outro produto é o da Flexitec, empresa incubada na UFPR. Dois dos sócios, Lucimara e Paulo Roman, trouxeram da Suécia a tecnologia de utilização de uma película para vidro que conduz eletricidade. Com ela, é possível utilizar celulares abaixo de zero grau e eliminar o efeito suado das portas de geladeiras comerciais. Outros produtos ainda prometem fazer sucesso na mostra, como o sistema de guiagem de máquinas agrícolas por GPS, da curitibana eSysTech, incubada no Cefet. O equipamento estará exposto ao lado do simulador utilizado no treinamento de operadores.