O presidente em exercício da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, disse ver “com algum alento” a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir o ritmo de aperto monetário, com alta de 0,50 ponto porcentual na taxa Selic, para 10,75% ao ano. Para ele é desnecessário manter o processo de elevação dos juros, pelo cenário de arrefecimento da atividade econômica. Os últimos dados divulgados, lembra Andrade, apontam nítida desaceleração no ritmo de expansão econômica, principalmente na produção industrial que, nos últimos dois meses interrompeu o crescimento. Enfatizou que o próprio índice de atividade econômica produzido pelo Banco Central, referente a maio, aponta estabilidade do Produto Interno Bruto (PIB).

“Somados a isso, diversos indicadores antecedentes, como a produção e venda de veículos, produção de papel ondulado e consumo de energia elétrica confirmam o quadro de clara redução no ritmo de crescimento já no segundo trimestre deste ano”, acrescentou o presidente da CNI.

“Após a estabilidade do IPCA de junho, o IPCA-15 de julho apontou queda de 0,1%, com redução no preço dos alimentos, principal componente de pressão inflacionária dos últimos meses. São sinais mais do que suficientes, portanto, para a flexibilização do ciclo de aperto monetário do Banco Central. A persistência desse processo poderá reduzir o ritmo de crescimento dos investimentos, aspecto fundamental para o crescimento sustentado da economia”, alerta Robson Andrade.

Fiesp

O presidente em exercício da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), João Guilherme Sabino Ometto, repudiou a decisão do Copom de elevar a taxa Selic. “Vamos seguir defendendo o setor produtivo brasileiro. O Brasil não pode continuar entre os campeões mundiais de maiores taxas de juros”, disse, em nota.

“A Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) não podem concordar com a política equivocada de elevação da taxa Selic simplesmente para que as expectativas de mercado não sejam contrariadas”, criticou. “O que é mais importante: as expectativas de mercado ou os números já bem claros de arrefecimento da inflação no Brasil? A quem interessa juros altos: aos poucos do mercado ou aos muitos da sociedade?”, questionou. “Qual é a razão para o aumento dos juros? A Fiesp e o Ciesp não encontram nenhuma, exceto a distribuição de renda ansiada pelos sopradores de ‘vuvuzelas’ do mercado.”

Fecomercio-SP

Apesar de o aumento da Selic ter sido menor que o esperado pela maioria do mercado financeiro, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) criticou a decisão do Copom. Para a entidade, o Copom demonstrou “um medo exagerado” da possibilidade de aumento da inflação, ignorando os sinais de arrefecimento da economia brasileira nos últimos meses.

Analistas financeiros esperavam elevação de 0,75 ponto porcentual e a decisão do Copom foi de aumentar a Selic em 0,50 ponto, para 10,75% ao ano. Mesmo assim, o diretor executivo da Fecomercio, Antonio Carlos Borges, avaliou que o reajuste foi “absolutamente desnecessário”. “O momento pede uma parada técnica para que o BC analise melhor a situação a partir dos aumentos dos juros básicos nos meses anteriores e possa tomar a decisão mais acertada daqui para a frente”, afirmou.

Força Sindical

A decisão do Copom também foi criticada pela Força Sindical. Em nota, o presidente em exercício da entidade, Miguel Torres, considerou a decisão “nefasta” para o setor produtivo. “Esta insensata medida irá aumentar a trava para a produção e a geração de empregos, prejudicando as estimativas de um PIB vigoroso este ano”, afirmou.

“É realmente lamentável que as autoridades monetárias brasileiras tenham se transformado em meros aduladores dos especuladores. Suas decisões estão cada vez mais distante dos interesses maiores da sociedade e do Brasil”, disse. “Lamentamos profundamente que o Brasil esteja virando um paraíso para os especuladores do mundo inteiro.”