O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, acredita que o nível de atividade da indústria brasileira em 2009 apresentará leve crescimento, próximo de zero, em relação ao ano passado. Essa expansão, segundo o dirigente, será sustentada principalmente pelo resultado da construção civil. “É possível que o crescimento positivo do setor seja determinado neste ano pelo desempenho da construção civil”, afirmou Monteiro, que participou nesta terça-feira (17) de um encontro com empresários de diversos setores da indústria nacional em São Paulo.

Ele acredita que o desempenho da indústria apresentará recuperação principalmente no segundo semestre, já que o período de janeiro a junho ainda será um período de ajustes na atividade econômica. “O pior momento para nós foi exatamente a queda que aconteceu (no nível de atividade) no último trimestre de 2008. Em relação a esse período me parece que temos um ambiente melhor, de certa acomodação”, disse.

O segundo trimestre de 2009, acredita Monteiro, já apresentará recuperação na atividade industrial sobre os primeiros três meses deste ano. Apesar disso, o dirigente descarta um discurso otimista em relação à indicação de interrupção na trajetória de queda acentuada dos indicadores industriais. “Não há nada ainda que nos indique um quadro de recuperação mais amplo”, afirmou, referindo-se ao nível de atividade do setor.

PIB

O fraco desempenho da economia brasileira nos primeiros meses de 2009 e o recente anúncio de retração do País no quarto trimestre do ano passado levaram a CNI a revisar para baixo a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) este ano. De acordo com o presidente da entidade, a nova estimativa da CNI é de uma expansão na economia brasileira próxima a 0,5%.

Ele lembrou que, ainda no ano passado, a entidade havia projetado uma expansão do PIB para 2009 entre 1,5% e 2%. Na ocasião, destacou Monteiro, a CNI foi criticada pelo pessimismo de suas análises. “Hoje todos os analistas já convergem no sentido de que o crescimento este ano será muito pequeno, entre 0,5% e um pouco mais de 1%”, afirmou.

Questionado se a economia brasileira poderia apresentar retração em 2009, Monteiro optou por manter o otimismo, mas não descartou essa possibilidade. “Se o mundo piorar e os reflexos dessa crise se acentuarem, é evidente que isso (retração) é possível”, disse.