Mesmo com queda real de 1,81% de setembro para outubro, as vendas reais da indústria paranaense voltaram a apresentar crescimento, de 0,39%, no acumulado do ano, comparado ao mesmo período do ano passado. Até setembro, o resultado acumulado era negativo em 0,74%. Em outubro, o faturamento real da indústria estadual foi 128,97% superior à média de outubro de 92. Os dados são da análise conjuntural divulgada ontem pela Fiep (Federação das Indústrias do Paraná).

“É o primeiro mês de recuperação para valer”, analisou o presidente da Fiep, José Carlos Gomes Carvalho. “Saímos do vermelho, com acréscimo de 0,39% sobre o crescimento de 24,25% do ano passado”. Com os resultados de novembro e dezembro, ajudado pelo bom nível das exportações, Carvalho estima que a indústria paranaense feche o ano com números positivos. “Torço para chegar em 2%, mas vamos falar em 1% para ser conservador”, declarou.

Em outubro, cresceram as exportações (3,41%), porém houve recuo nas vendas dentro do Estado (-0,76%) e para outros estados (-5,60%). Em 2002, todos os indicadores são positivos: no Paraná (1,04%), para outros estados (4,34%) e para o exterior (7,48%). Segundo o levantamento, quatorze dos dezoito gêneros pesquisados apresentaram aumento de vendas em outubro. As maiores altas mensais ocorreram em: matérias plásticas (17,46%), papel e papelão (15,67%) e mecânica (9,59%). As maiores quedas foram registradas em editorial e gráfica (-22,55%), química (-21,86%) e têxtil (-9,74%).

No ano, o setor que mais cresceu foi produtos farmacêuticos e veterinários (44,98%). Segundo Carvalho, essa expansão se deve ao controle da febre aftosa. Além das campanhas internas, o Brasil também exporta vacinas. Os outros segmentos que mais aumentaram as vendas em 2002 são exportadores, beneficiados pela alta do dólar: papel e papelão (26,98%), madeira (23,40%) e mobiliário (20,74%). As maiores reduções de vendas nesse ano foram verificadas em material elétrico e de comunicações (-60,43%), bebidas (-25,58%), vestuário, calçados e artefatos de tecidos (-18,83%) e material de transportes (-4,74%).

O volume de compras da indústria do Paraná cresceu em relação a setembro (9,95%) e no acumulado dos dez primeiros meses de 2002 (8,58%). No ano, as importações de insumos caíram 24,66%, enquanto as compras no Estado cresceram 13,97% e as de outros Estados ampliaram 22,56%. Os maiores incrementos nas compras, em relação a 2001, aconteceram em couros, peles e similares (95,35%), produtos farmacêuticos e veterinários (61,04%), mecânica (48,50%) e produtos alimentares (33,21%). “Se estamos comprando mais, é sinal que vamos produzir mais”, reforçou Carvalho.

Nos dez primeiros meses de 2002, a balança comercial do Paraná teve superávit de U$ 2,036 bilhões, resultado de U$ 4,838 bilhões em exportações e U$ 2,802 bilhões em importações – o melhor desempenho desde 1991, representando 20,25% do superávit brasileiro de U$ 10,056 bilhões em 2002. Em relação ao mesmo período de 2001, as exportações do Estado cresceram 6,67% e as importações caíram 35,40%.

Empregos

As indústrias paranaenses abriram cerca de 4.700 vagas em outubro, correspondendo a um acréscimo de 1,26% sobre setembro. De janeiro a outubro, o nível de emprego registra elevação de 8,08% sobre igual período de 2001. De acordo com a Fiep, a massa salarial líquida teve incremento de 1,38% comparado ao mês anterior. Já a utilização da capacidade instalada se estabilizou em 80%, enquanto as horas trabalhadas na produção aumentaram 4,08%.

Interesse em energia

Olavo Pesch

Empresários alemães estão interessados em investir de U$ 8 bilhões a U$ 12 bilhões no Brasil nos próximos quatro anos. Este foi o resultado da 1.ª Conferência sobre Investimentos em Infra-estrutura e Energia realizada na semana passada em Frankfurt, por iniciativa da Confederação da Indústria Alemã (BDI), Confederação Nacional da Indústria (CNI) e os governos dos dois países. Dos 54 projetos brasileiros de infra-estrutura e energia apresentados no encontro, que totalizam U$ 28 bilhões, seis estão no Paraná.

São três hidrelétricas: Cebolão, em Londrina (U$ 114 milhões), Jataizinho (U$ 116 milhões) e Mauá, em Ortigueira (U$ 232 milhões); a linha de transmissão Santiago/Ivaiporã/Cascavel/Ivaiporã (U$ 89 milhões); a rodovia PR-153 (U$ 31 milhões) e U$ 400 milhões para a hidrovia Tietê-Paraná-Paraguai. “O novo governo acha que o primeiro volume de investimentos no Brasil virá desses projetos”, informou José Carlos Gomes Carvalho, que participou do encontro como presidente do Conselho de Infra-Estrutura da CNI.