A indústria e o comércio iniciam o segundo semestre com ritmo forte de atividade, apesar de reduções marginais do segundo para o terceiro trimestre, apontam duas pesquisas de opinião feitas com empresários.

O temor do superaquecimento do primeiro trimestre, quando o PIB cresceu 2,7% ante o último de 2009 e 9% na comparação com igual período do ano anterior, ficou para trás, dizem os economistas. Mas eles ponderam que a atividade econômica segue em nível elevado, comparável aos bons momentos pré-crise.

A produção prevista da indústria para três meses subiu em junho pelo segundo mês consecutivo, aponta a Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação da Fundação Getúlio Vargas (FGV). No mês passado, 44,4% das cerca de mil indústrias consultadas apostavam numa produção maior para o período de junho a agosto.

Em maio, essa participação era de 40,5% e, em abril, de 38,4%, quando houve uma forte retração em relação ao mês anterior (45,1%). Os resultados são comparáveis porque estão livres das oscilações sazonais, que normalmente ocorrem de um mês para outro. “Mantém-se a expectativa de desaceleração do ritmo de atividade, mas a evolução do indicador sinaliza que a magnitude esperada para a desaceleração já foi mais intensa”, diz o superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da FGV, Aloisio Campelo.

Ajuste

Pesquisa Empresarial Serasa Experian com cerca de mil executivos da indústria, do comércio e do setor de serviços revela que há pequenas reduções nas expectativas em relação ao crédito, emprego e investimentos a cada trimestre, mas o cenário ainda é muito favorável.

Em dezembro, 6% dos empresários achavam que as condições de crédito no primeiro trimestre de 2010 seriam piores em relação ao anterior. No segundo trimestre, essa fatia subiu para 15% e no terceiro trimestre para 19%. Em contrapartida, a fatia dos que acham que as condições de crédito vão se manter ou melhorar em relação ao trimestre anterior é ainda muito elevada. Essa parcela era de 85% no primeiro trimestre, caiu para 85% no segundo trimestre e está em 81%.

Com relação ao emprego, que é um indicador de como vai se comportar a atividade, os resultados são mais robustos. Em dezembro de 2009, 4% das empresas informaram que pretendiam demitir no primeiro trimestre. Esse resultado subiu para 6% no trimestre seguinte e se manteve nesse patamar neste trimestre. Já a fatia de empresas que pretendem contratar ou manter os quadros estava em 96% no primeiro trimestre e desde o segundo trimestre se mantém em 94%.