As indústrias do Paraná continuam empregando, mas em ritmo muito mais lento. É o que mostra a pesquisa elaborada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos, regional Paraná (Dieese-PR), em conjunto com a Federação dos Trabalhadores na Indústria do Paraná (Fetiep), divulgada ontem.

No primeiro bimestre deste ano (janeiro e fevereiro), o saldo de empregos foi de 2.822 -quase metade do registrado no mesmo período do ano passado, quando o saldo foi de 5.838 vagas. Conforme mostra a pesquisa, a desaceleração não está acontecendo apenas aqui. Em nível nacional, o saldo de contratações caiu de 74.186, no primeiro bimestre do ano passado, para 33.654 no mesmo período deste ano – queda de 54,64%.

Para o supervisor técnico do Dieese-PR, Cid Cordeiro, a desaceleração é explicada pela taxa básica de juros (Selic), que vem subindo desde setembro passado e está em 19,25%. ?Essa alta taxa deve refletir ainda nos próximos meses?, apontou Cordeiro. Além da taxa de juros, outros fatores estão influenciando a geração de mais empregos em determinados setores e menos em outros. ?O crescimento tem sido maior nas indústrias da Região Metropolitana de Curitiba (RMC), mais voltadas para o mercado interno?, apontou o economista Sandro Silva, do Dieese-PR. É o caso dos segmentos de material de transporte (montadoras), metalúrgica, mecânica, material elétrico e têxtil (veja tabela), que apesar de vender para o mercado externo, atende especialmente o mercado interno. ?Existe a questão das commodities internacionais (preços agrícolas), que estão em baixa, e a taxa cambial, que afetam as exportações industriais?, explicou o economista.

Um dos aspectos positivos da mudança de tendência – normalmente, as indústrias de alimentos, vestuário e madeira lideram o nível de emprego – é a questão salarial: os segmentos mais voltados para o mercado interno pagam melhor do que os demais. Conforme levantamento do Dieese-PR, em dezembro de 2003 o salário médio da indústria paranaense era de R$ 818,76. Na indústria de material de transporte, o salário no chão de fábrica era de R$ 1,2 mil; na indústria mecânica, R$ 1,3 mil e material elétrico, R$ 1,2 mil. Enquanto isso, os setores mais voltados para exportação pagavam R$ 443,00 (indústria do vestuário), R$ 578,00 (madeira e mobiliário) e R$ 703,00 (alimentos e bebidas).

Apenas em fevereiro, o nível de emprego no Paraná cresceu 0,39%, com o saldo de 1.889 vagas. O desempenho ficou abaixo da média nacional (crescimento de 0,56%), especialmente por conta da sazonalidade da agroindústria.

Produção

A produção industrial do Paraná registrou queda de 3,31% em fevereiro na comparação com janeiro. No acumulado do ano (janeiro e fevereiro), há alta de 6,38%. Os setores que mais produziram no ano foram edição, impressão e reprodução de gravações (aumento de 67,52%), veículos automotores (36,15%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (21,47%) e máquinas e equipamentos (10,20%). Na outra ponta, apresentaram queda na produção os setores de outros produtos químicos (-35,12%), borracha e plástico (-16,92%) e refino de petróleo e álcool (-10,57%).

Mercado formal dá sinais de perder fôlego

Após bater recordes históricos de geração de vagas em 2004, o mercado de trabalho começa a dar sinais de desaceleração em 2005. Prova disso é o saldo de empregos formais gerados neste primeiro trimestre. Nesse período foram abertos 292.222 postos de trabalho, uma redução de 15,88% em relação ao primeiro trimestre do ano passado, segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho.

Em março, foram criadas 102.965 vagas com carteira assinada, um recuo de 4,85% frente ao mesmo mês de 2004.

Apesar das quedas, o Ministério do Trabalho lembra que o resultado trimestral e mensal foram os segundos melhores da história do Caged – iniciado em 1992 -, perdendo apenas para 2004.

?Em 2004, houve uma reposição muito grande de empregos. Em 2005, continua havendo expansão, mas em ritmo menor?, disse Ricardo Berzoini, ministro do Trabalho.

Para ele, os resultados registrados até março foram prejudicados pela estiagem no Rio Grande do Sul e situações sazonais.

Agricultura

A geração de empregos na agricultura começa a perder vigor. No primeiro trimestre do ano, o setor abriu pouco mais de 4.000 empregos formais, contra 22 mil no mesmo período de 2004. Para Berzoini, esse resultado pode refletir a situação cambial.

O ministro disse que a taxa de juros ainda não prejudicou o mercado de trabalho. ?Até agora, há um movimento forte de investimentos. Como boa parte da economia não depende dessa taxa para se financiar, não há nenhuma expectativa de que isso possa mudar a tendência de investimentos, a não ser que se prolongue por muito tempo.?