A indústria brasileira está no melhor patamar desde setembro de 2008, mês em que o banco de investimento americano Lehman Brothers anunciou concordata e deflagrou a pior fase da crise global, informou a gerente de Análise e Estatísticas Derivadas da Indústria do IBGE, Isabella Nunes, com base no indicador de média móvel trimestral. O nível atual da indústria é equivalente ao patamar de junho de 2006.

A recuperação da indústria na margem já acumula alta de 7,9% de janeiro a junho, embora, em comparação com o primeiro semestre do ano passado, a produção industrial tenha tido queda recorde de 13,4%. “A indústria recupera na margem e reduz o ritmo de queda na comparação com ano passado”, disse Isabella Nunes.

A melhor contribuição para a recuperação da indústria durante a crise em 2009 foi a de bens de consumo duráveis. “A participação forte de bens de capital mostra que a demanda interna aquecida é um fator importante na recuperação da indústria em 2009 aliada à manutenção da massa salarial, desoneração tributária e recuperação de crédito”, afirmou. Isabella Nunes relativizou a queda recorde da produção industrial na comparação com o primeiro semestre do ano passado, observando que também houve queda em outros países.

Os bens de capital (máquinas e equipamentos) tiveram a maior expansão de produção entre as categorias de uso pesquisadas em junho, na comparação com maio, com crescimento de 2,1%. Isabella Nunes comentou que foi o terceiro crescimento consecutivo dos bens de capital na comparação com o mês anterior.

Na mesma base de comparação, a produção de bens de consumo duráveis cresceu 0,4%. Os bens intermediários registram aumento de 0,7% e os bens de consumo semi e não duráveis tiveram queda de 2,6%. Uma parcela de 13 dos 27 ramos industriais teve expansão em junho em relação a maio.

Na comparação com junho de 2008, não só os bens de capital, que registraram queda de 24,4%, mas todas as demais categorias tiveram baixa na produção. A dos bens intermediários foi de 11,8%. A dos bens de consumo duráveis foi de 12,7% e a dos bens de consumo semi e não duráveis, de 4%. No primeiro semestre, em relação ao mesmo período do ano passado, e no acumulado em 12 meses até junho, a queda também foi generalizada.