Foto: Ciciro Back/O Estado

Sandro Silva: reversão acentuada.

A indústria do Paraná reduziu o número de contratações no ano passado. Enquanto 2004 encerrou com saldo de 47.860 empregos, em 2005 o número de contratações caiu para 13.667 – ou seja, queda de 71,44%. A redução, porém, não ficou restrita ao Estado. Em nível nacional, também houve queda: de 504.610 empregos gerados de janeiro a dezembro de 2004 para 177.548 no mesmo período do ano passado – queda de 64,81%. Os dados fazem parte do levantamento divulgado ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos, regional Paraná (Dieese-PR).

No caso do Paraná, o impacto negativo veio sobretudo da agroindústria. O setor sofreu os efeitos da quebra de safra – por conta da estiagem -, queda dos preços agrícolas e a valorização do real frente ao dólar. Por conta disso, o saldo de empregos caiu de 21,4 mil em 2004 para pouco mais de 2,1 mil no ano passado, o que representou queda de 85%. Entre as atividades, as que sofreram os maiores impactos negativos foram a fabricação de produtos de madeira, cortiça e material trançado (com saldo negativo de 2.424 empregos), produção de álcool (-2.260) e desdobramento de madeira (-1.296). ?Em 2004, cerca de 45% dos empregos gerados foram na agroindústria. Em 2005, o índice caiu para 23%?, apontou o economista do Dieese-PR, Sandro Silva. No caso das três atividades, todas elas haviam apresentado, em 2004, saldo positivo. ?Houve uma reversão acentuada do desempenho?, analisou.

A indústria metalúrgica foi a que registrou maior queda do número de empregos: passou de 3.582 contratações em 2004 para apenas 330 no ano passado. Entre as atividades analisadas, a indústria de material elétrico e de comunicações foi a única que encerrou o ano com saldo positivo, de 8,83%.

Produção

Com relação à produção industrial, houve crescimento de 0,78% no Paraná no ano passado – o pior desempenho desde 2002. Em nível nacional, a produção cresceu 2,75%. Para o supervisor técnico do Dieese-PR, Cid Cordeiro, depois de um ano em que a produção industrial cresceu pouco, as expectativas para 2006 são bastante positivas. ?O cenário é de queda da taxa de juros e crescimento de renda, tanto pelo aumento do salário mínimo, como pela correção da tabela do Imposto de Renda, o que deve trazer melhores resultados para a indústria este ano?, analisou.

Segundo ele, a expectativa de especialistas é que a indústria puxe o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do País. Em nível nacional, espera-se que a produção industrial cresça 4,5% este ano.