O Banco Central decidiu hoje elevar a taxa Selic, juro básico da economia brasileira, em 0,5 ponto porcentual, para 10,75% ao ano. Nas duas reuniões anteriores, o aumento havia sido de 0,75 ponto porcentual cada. O comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC divulgado hoje diz que “avaliando a conjuntura macroeconômica e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 10,75% ao ano, sem viés. Considerando o processo de redução de riscos para o cenário inflacionário que se configura desde a última reunião do Copom, e que se deve à evolução recente de fatores domésticos e externos, o Comitê entende que a decisão irá contribuir para intensificar esse processo”.

Os argumentos para a redução do ritmo de aperto monetário vieram à tona nas últimas semanas. Indicadores como a inflação mais baixa que o esperado e a atividade econômica em desaceleração surpreenderam positivamente o mercado financeiro. Para analistas, esse quadro diminui os riscos e abre espaço para um Banco Central mais moderado. O próprio presidente do BC, Henrique Meirelles, deu sinais de que o ritmo dos juros poderia mudar. Normalmente avesso à imprensa, especialmente em dias que antecedem a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), ele falou dois dias seguidos com a imprensa na semana passada para reafirmar que as decisões são tomadas “levando em conta todos os dados existentes” até o dia da reunião.

Essa evolução positiva dos indicadores recentes gerou verdadeira reviravolta no mercado de juros futuros. Há duas semanas, os negócios mostravam que era praticamente zero a chance de alta da taxa Selic inferior a 0,75 ponto porcentual. Mas as apostas começaram a mudar ao longo da semana passada. Na última segunda-feira, foi o primeiro dia em que a maioria das operações passou a apontar para o aumento de 0,50 ponto porcentual. Um dia depois, as apostas se consolidaram com a deflação de 0,09% registrada no IPCA-15.

A inflação foi o número que abriu os olhos dos analistas para a chance de uma alta menos intensa da Selic, mais especificamente o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) que marcou estabilidade em junho, abaixo de todas as expectativas. Os preços seguiram no radar até horas antes da decisão, já que ontem o IPCA-15 de julho, uma prévia do índice até o meio do mês, apontou deflação de 0,09%, também surpreendendo o mercado.

Essa percepção de desaceleração vai além dos preços. Na semana passada, o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) registrou estabilidade entre abril e maio. Calculado pelo próprio BC, o número mostra que a economia parou de crescer no mês retrasado.

A lista de argumentos continua no emprego já que foram criados de 212,9 mil empregos formais em junho, abaixo do registrado em maio e do previsto pelos analistas. Além disso, a arrecadação de impostos também ficou aquém do esperado pelos economistas no mês passado. Juntos, os dois números reforçaram o entendimento de que a economia está em um ritmo mais fraco que o previsto inicialmente.