Rio – A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) de maio avançou 0,85%, segundo informou ontem o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O resultado ficou acima das expectativas de mercado, que projetavam, no máximo, 0,80%, mas foi inferior ao IPCA-15 de abril, de 1,14%. Economistas avaliam que o desempenho do índice comprova que a inflação ainda está carregada de “inércia” referente ao ano passado, quando a desvalorização cambial causou disparada de preços.

O Banco Central e o Ministério da Fazenda já haviam alertado nesta semana que os preços ao consumidor ainda apresentavam um recuo “lento” apesar da Fundação Getúlio Vargas já apurar deflação no atacado.

A baixa velocidade da queda dos preços motivou o BC a manter a taxa básica de juros da economia brasileira em 26,5% ao ano na última quarta-feira, em uma decisão bastante questionada por empresários e membros do próprio governo.

Nos últimos 30 dias, a queda no preço da gasolina e do álcool e o menor ritmo de crescimento dos preços de alimentos e remédios foram as principais razões para o recuo do índice.

Os alimentos, que haviam apresentado crescimento de 1,61% no mês passado, só aumentaram 0,64% no mês de maio. Os remédios também subiram menos, passando de 5,87%, para 0,76%.

Já a gasolina apresentou redução de 1,71% nas bombas, devido ao anúncio de queda de 6,5% do produto nas refinarias da Petrobras em 30 de abril. O álcool também caiu 2,83%.

O item que mais pesou no período foi a tarifa de energia elétrica, que chegou a ter alta de 6,40%.

Em 2003, o IPCA-15 acumula alta de 7,51%, e 17,24% nos últimos 12 meses.

O IPCA-15 é um indicador antecedente do parâmetro oficial da inflação no país (o IPCA). A diferença entre os dois índices é o período de coleta de preços.

Enquanto o IPCA tem seus preços coletados durante as quatro semanas do mês vigente, o IPCA-15 é calculado entre a segunda quinzena do mês anterior e a primeira quinzena do mês em questão.

O IPCA-15 é calculado em nove regiões metropolitanas do país além de Brasíla e Goiânia, e se refere ao consumo das famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos.

A maior inflação ocorreu em Recife (2,02%) e a menor, em Curitiba (0,13%).

Meirelles decepcionado

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ontem que o resultado do IPCA-15 de maio ? inflação de 0,85% ? ficou acima das expectativas de mercado. Meirelles mostrou decepção em relação à inércia inflacionária. “A inflação está caindo, mas não ainda de forma tão rápida quanto gostaríamos.”

Durante cerimônia da Associação de Bancos do Rio de Janeiro, Meirelles também afirmou que daqui a alguns anos o país estará comemorando altas taxas sustentáveis de crescimento econômico.

Dólar fecha semana a R$ 2,91

São Paulo – O dólar comercial fechou a sexta-feira em queda expressiva de 2,25%, se aproximando novamente de R$ 2,90. A moeda americana fechou a R$ 2,912 na compra e R$ 2,917 na venda. Foi o segundo dia consecutivo de queda nesta semana. Na mínima do dia, o dólar chegou a R$ 2,910, com redução de 2,44% sobre o fechamento de anteontem.

A moeda, que já havia começado o dia em baixa, caiu com mais intensidade no período da tarde, depois do resultado da rolagem da dívida cambial que vence em 2 de junho. Em sua primeira operação de swap, o Banco Central conseguiu renovar 58,5% do principal de sua dívida de US$ 1,2 bilhão. O mercado chegou até a comentar que a instituição só não conseguiu rolar o total da dívida porque foi rigoroso no pedido das taxas.

– O leilão ajudou bastante a queda do dólar. O movimento de alta dos últimos dias estava cheio de especulação e a moeda voltou aos patamares de R$ 2,90 como se nada tivesse acontecido -afirmou Sérgio Machado, diretor de tesouraria do Banco Fator.

Para ele, a alta registrada nos últimos dias não tinha sentido, já que as captações continuam e a percepção de risco brasileiro é boa. Ele lembrou que a inflação não cai na velocidade desejada, mas apresenta desaceleração em relação aos resultados passados.