Curitiba fechou o mês de abril com Índice de Preços ao Consumidor (IPC) em alta de 0,87%. Apesar da redução sobre o mês anterior – em março o índice foi de 1,19% -, a inflação ficou acima das expectativas dos técnicos do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). O acumulado do ano está em 4,62%, enquanto a inflação dos últimos 12 meses é de 14,60%. O vestuário foi o grupo de maior influência, com alta de 4,98%, seguido pelo transporte e comunicação (1,13%) e alimentos e bebidas (1,05%).

De acordo com o técnico do projeto IPC, Gino Schlesinger, a previsão para abril era de inflação até 0,5%. A surpresa ficou por conta tanto do grupo vestuário – que exerceu influência de 0,33% sobre o índice total (0,87%) – e de alimentos e bebidas. No caso do vestuário, a alta se deve à chegada da coleção outono/inverno. Os itens que mais contribuíram na variação do índice foram o sapato feminino (17,66%), seguido pela blusa feminina (13,14%), calça comprida feminina (8,35%) e calça comprida masculina (4,79%).

Em relação ao grupo alimentos e bebidas, Schlesinger comentou que não esperava alta tão significativa. “A gente não imaginava que o grupo alimentos e bebidas fosse pressionar tanto”, comentou. O leite pasteurizado (alta de 3,21%), refrigerante (4,96%) e do pão francês (2,73%) contribuíram para a elevação do índice. No caso do pão francês, o motivo da alta pode ter sido a retirada de descontos. A cebola e a banana caturra também tiveram altas significativas – 27,73% e 23,49%, respectivamente -, embora a influência no IPC seja pequena.

Na outra ponta, tiveram queda a tangerina (-60,65%), a alcatra bovina (-6,89%), a maçã (-19,03%), laranja pêra (-9,75%) e filé mignon (-4,60%). O tomate, que foi o vilão da cesta básica em Curitiba no mês de abril, segundo pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócioeconômicos do Paraná (Dieese-PR) divulgada esta semana, não apresentou alta significativa no levantamento do Ipardes. “O preço do tomate refletiu principalmente nos meses de fevereiro e março”, explica Schlesinger. Segundo ele, a alta acumulada do fruto desde o início do ano é de 162%.

No grupo transporte e comunicação, destaque para a alta de 18,20% da passagem aérea – vôos que têm Curitiba como saída e chegada -, gasolina (2,34%), automóvel de passeio nacional 0 km (1,50%), automóvel de passeio e utilitário usado (0,86%) e conserto de veículos (1,86%). A queda de preço mais significativa foi do álcool (combustível), com redução de 2,29%. No caso das passagens aéreas, a retirada de descontos pode ter sido a principal causa do aumento, segundo Schlesinger.

Os demais grupos, como habitação e despesas pessoais apresentaram alta de 0,48% e 0,04%, respectivamente. Na habitação, destaque para o aumento do gás de cozinha (6,58%). Por outro lado, dois grupos apresentaram deflação: o de artigos de residência (-0,02%) e saúde e cuidados pessoais (-0,15%).

Maio deve ter índice menor

Lyrian Saiki

Para o mês de maio, a expectativa é que o índice seja no máximo de 0,5%. “Temos perspectivas otimistas”, diz Schlesinger. A previsão, segundo ele, é que o preço da gasolina apresente queda de 6%. Também o vestuário não deve pressionar o índice, nem o grupo alimentos e bebidas. Mesmo com possíveis geadas – que poderiam afetar principalmente os hortigranjeiros -, Schlesinger explica que os produtos in natura contribuem com apenas 1,85% do índice, enquanto os industrializados, 9,49%.

De acordo com Schlesinger, se o índice de inflação permanecer na média de 0,87% até o final do ano, 2003 será fechado com IPC de 12,20%. “Se a taxa de câmbio não pressionar para alta e a gasolina não subir, a inflação poderá ficar em até 10%”, acredita. A meta de inflação estabelecida pelo Banco Central é de 8,5% para este ano e 5,5% para o próximo.