A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) enfrenta um sério dilema. Nos últimos tempos, com o objetivo de sustentar os preços elevados do petróleo, o cartel manteve apertada a oferta, reduzindo os estoques mundiais. Enquanto isso diz que os responsáveis pelo preço são problemas no refino e tensões geopolíticas.

A estratégia tem funcionado. Os preços continuam acima do piso fixado pela Opep, de US$ 60 por barril. Mas agora o impacto inflacionário do petróleo nas principais economias está mais que evidente com o aperto monetário nos Estados Unidos e na Europa. E essa escalada inflacionária, aliada à crise nos mercados financeiros nas últimas semanas, poderá contagiar a economia mundial, desacelerando o crescimento, reduzindo o apetite energético e, eventualmente, derrubando no futuro os preços do petróleo.

Diante dessa equação, o que o cartel, cuja próxima reunião será em 11 de setembro, em Viena, vai fazer? Aumentar a oferta, ajudando a aliviar os preços e o risco de desaceleração econômica? Ou correr o risco de deixar os mercados desabastecidos, alavancando o preço? "Há muito tempo argumentamos que o ganho financeiro de curto prazo da Opep vai lhe trazer dores de longo prazo, com os preços altos do petróleo prejudicando a demanda", afirma o Centro para Estudos Energético Global (CGES, em inglês) em seu relatório mensal, divulgado ontem. "Essas dores podem estar só começando.

Adam Sieminski, do Deutsche Bank, prevê que os estoques vão cair rapidamente. Para ele, a expansão do consumo em 2008, de 1,35 milhão de barris/dia, é inferior ao da Agência Internacional de Energia (AIE), de 2,17 milhões de barris. "A pressão para que a Opep eleve a produção pode estar errada caso a previsão do cartel esteja certa, ou pode aumentar se a da AIE estiver correta", disse Sieminski. Esse é o dilema da Opep.