O país fechará 2008 e 2009 com a inflação oficial dentro da meta de 6,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), disse, há pouco, o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo ele, a desaceleração da economia internacional, que tem reduzido a demanda por produtos em todo o mundo, e a queda no preço das commodities – bens primários com cotação no mercado internacional – compensarão a alta do dólar e impedirão a escalada da inflação no fim do ano.

Para 2009, ressaltou o ministro, o controle da inflação será ainda mais tranqüilo por causa das perspectivas para a economia nos próximos meses. “Mesmo as pressões inflacionárias por causa do câmbio serão compensadas pela acomodação do preço das commodities em níveis mais baixos e pela queda na demanda mundial. Vamos fechar o ano com a inflação dentro das metas e, no ano que vem, será ainda mais fácil cumprir a meta”, afirmou Mantega em entrevista exclusiva a veículos da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Mantega, no entanto, evitou comentar se a expectativa de queda na inflação abriria espaço para um corte dos juros básicos pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. O ministro disse que a crise financeira internacional contribuiu para conter a expansão do crédito, o que, em sua opinião, impedirá o aumento da inflação provocado pelo crescimento da demanda.

O ministro afirmou ainda que o Brasil está em melhor situação que os países desenvolvidos para enfrentar a crise. “No mundo haverá deflação, que é sintoma de crescimento negativo da economia. Como a economia brasileira crescerá, aqui não haverá deflação, mas queda da inflação provocada pela retração da demanda”, explicou.

Mesmo com a desaceleração da economia, ressaltou Mantega, o país crescerá acima da média mundial, o que levará o Brasil a uma posição de vantagem no próximo ano. “A demanda caiu, mas está se acomodando num patamar que possibilitará o crescimento.”

O ministro deu as declarações ao sair da gravação do programa Três a Um, da TV Brasil, que vai ao ar hoje (17), às 22h. Em entrevista ao apresentador Luiz Carlos Azedo e aos jornalistas Ilimar Franco, do jornal O Globo, e Cláudia Safatle, do jornal Valor Econômico, o ministro falou sobre o cenário atual e as perspectivas para a economia do país no próximo ano.

No programa, o ministro comentou as medidas tomadas pelo governo para combater a crise e os possíveis reflexos das desonerações e da queda da arrecadação sobre as contas públicas e o orçamento de 2009. Ele também falou sobre medidas em estudo pela equipe econômica, como o pacote para estimular a compra de imóveis.