O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), medido pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) em Curitiba, fechou 2009 com uma taxa de 3,88%, conforme informou, ontem, o órgão.

O indicador, que mede as variações de preços de produtos e serviços consumidos pelas famílias curitibanas com rendas entre um e 40 salários mínimos, foi inferior ao centro da meta de inflação, estabelecido pelo governo federal em 4,5%, e foi o mais baixo desde que a série atual da pesquisa foi iniciada, há 11 anos.

O aluguel residencial, que subiu 13,9% no ano, e os automóveis usados, que baratearam 7,1%, foram as principais influências na taxa final. A pesquisa do Ipardes identificou variações mais intensas no primeiro semestre, quando a taxa acumulada foi de 2,46%.

No segundo semestre, a inflação foi de 1,38%. De acordo com o coordenador de pesquisas periódicas do Ipardes, Gino Schlesinger, o que mais surpreendeu os técnicos foi a redução nos preços dos carros usados, mais concentrada no primeiro semestre.

“Normalmente eles contribuem positivamente no índice”, diz, apontando que, entre 1999 e 2008, os automóveis usados acumularam alta de quase 122%, acima do IPC do período, que foi de 94,5%.

Os automóveis novos também tiveram queda (4,5%) nos preços e foram a segunda maior influência entre as baixas. Mesmo assim, o grupo transporte e comunicação, que engloba os itens, ainda ficou positivo, em 0,46%. O principal motivo foi a tarifa de ônibus urbano, cuja taxa ficou em 14,1% e foi a segunda maior influência entre as altas.

Alimentos

Para o Ipardes, os alimentos e bebidas, que tiveram aumento de apenas 1,54% no ano, tiveram grande contribuição para o IPC baixo. Entre as quedas, os destaques ficaram com o feijão (-44,8%) e o arroz (-17,8%).

Já nas altas, a refeição com almoço e jantar (5,8%) e o açúcar refinado (46,6%) foram as maiores influências. Os artigos de residência foram outra importante contribuição, com leve queda de 0,09% no ano, principalmente devido aos refrigeradores (-12,2%) e aparelhos de som (-8,2%).

Por outro lado, o grupo com a maior alta foi o de despesas pessoais, que acumulou aumentos de 8,3% no ano, devido especialmente aos cigarros (29,7%) e serviços de empregada doméstica (19%).

A maior contribuição (0,71 pontos percentuais) no IPC de 2009, no entanto, veio mesmo do aluguel. Segundo o Ipardes, se o item não tivesse sido reajustado, a inflação teria sido de 3,17%.

Tendência

Para Schlesinger, este ano o comportamento dos preços não deve se repetir. “A economia está se recuperando e aquecendo. Ainda, quando o real valoriza, pressiona quedas ou não elevações nos preços. Mas não há mais espaço para valorização, com perspectivas até de depreciar. Assim, a tendência é que o IPC seja maior que o de 2009”, explica.