A alta de 1,32% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março se concentra em itens que são essenciais às famílias brasileiras, afirmou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Diante da pressão em tarifas, principalmente da energia elétrica, e dos alimentos mais caros a taxa do IPCA em 12 meses acumulou uma elevação de 8,13% até março.

“Nesse resultado, temos influência forte da energia elétrica. Além disso, há o realinhamento das tarifas de ônibus, pois muitas não aumentaram no ano passado. Há uma pressão forte das tarifas, mas de alimentos também”, disse Eulina. “Quando a gente olha os produtos, se concentra em itens que são os mais importantes, os essenciais. Consumimos todos os dias”, acrescentou.

As energia elétrica ficou em média 22,08% mais cara em março, enquanto os ônibus avançaram 0,85%. Já os alimentos ficaram 1,17% mais caros, segundo o IBGE. Com o realinhamento das tarifas e a pressão de alimentos desde janeiro, a taxa em 12 meses do IPCA pulou para a casa dos 7% tanto em janeiro quanto em fevereiro. “Agora, com pressão mais forte das tarifas, especificamente de energia, a taxa ultrapassou barreira dos 8%”, notou Eulina.

Baixa renda

Diante da concentração de aumentos na energia elétrica e nos alimentos em março, as famílias de baixa renda devem ser as que mais sentirão a alta da inflação, segundo Eulina. No mês passado, o IPCA subiu 1,32%, sendo que 1,00 ponto porcentual é explicado apenas pela energia e pela alimentação.

“As famílias de menor rendimento tendem a gastar a maior parte de seus rendimentos com alimentação. Com alimentos mais caros, essas pessoas são mais prejudicadas.”, disse. “O custo de vida está maior. O consumidor está pagando mais por vários produtos, mas principalmente para se alimentar e para morar, para usar energia”, acrescentou a coordenadora. O INPC mensura a inflação percebida pelas famílias com rendimento entre 1 e 5 salários mínimos (o IPCA engloba famílias entre 1 e 40 salários mínimos).