A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou julho em 0,16%, ante uma variação de 0,15% em junho, informou nesta sexta-feira (5) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos, que iam de 0,11% a 0,21%, mas abaixo da mediana de 0,18%.

O IPCA é o índice oficial utilizado pelo Banco Central (BC) para cumprir o regime de metas de inflação, determinado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Até julho, o indicador acumula alta de 4,04% no ano. Em 12 meses, o índice registra aumento acumulado de 6,87%.

Nos alimentos, a queda de -0,26% em junho foi intensificada para -0,34% em julho. Foram vários os produtos que ficaram mais baratos, especialmente o tomate (-15,32%), que, com -0,04 ponto percentual, exerceu a mais forte pressão para baixo, seguido das carnes (-1,12%), com impacto de -0,03 ponto. Com este resultado o grupo Alimentação e Bebidas exerceu impacto de -0,08 ponto percentual no mês e, mesmo assim, acumula alta de 2,77% no ano. Nos não alimentícios, a variação foi de 0,31% em julho, pouco acima da taxa de 0,28% no mês de junho.

Embora os preços dos alimentos tenham caído ainda mais de um mês para o outro, os combustíveis (de -4,25% para 0,47%) se opuseram, voltando a subir. O etanol, da forte queda de 8,84% do mês de junho, subiu para 4,01% em julho, ressaltando-se que a alta em julho foi disseminada por todas as regiões pesquisadas. Já o litro da gasolina subiu de -3,94% para 0,15%, observando-se, no entanto, continuidade do movimento de queda na maioria das regiões, excetuando-se apenas Salvador (6,86%), Brasília (2,31%), Goiânia (0,21%) e Belém (0,07%).

Face à alta dos combustíveis, o grupo Transporte, que havia ficado em -0,61% em junho, foi para 0,46% em julho. O grupo teve, ainda, a contribuição do aumento das tarifas dos ônibus interestaduais (de 0,55% em junho para 5,80% em julho) tendo em vista o reajuste médio de 5,00% vigente a partir do dia primeiro de julho. Houve influência, também, de aumentos nos itens conserto de automóveis (de 0,95% para 1,52%), pedágio (de 0,00% para 4,62%), além das passagens aéreas (de 12,83% para 3,20%), que, mesmo com desaceleração, permaneceram em alta.

Mais altas

Também do lado das altas, destacou-se o pagamento dos salários dos empregados domésticos, cuja variação saiu dos 0,33% de junho para 1,26% em julho, consistindo no item que provocou o maior impacto individual (0,05 ponto percentual) no índice do mês. Apesar da alta deste item, no entanto, o grupo Despesas Pessoais (de 0,67% em junho para 0,49% em julho) perdeu intensidade de alta. Isto se deu em função, principalmente, da queda de preços dos serviços de cabeleireiro (de 1,09% em junho para -1,10% em julho) e aos serviços bancários (de 4,40% para 0,03%).

As despesas com Habitação (de 0,58% em junho para 0,27% em julho) também subiram menos, apesar da alta dos artigos de limpeza (de 0,63% para 1,08%) e da taxa de água e esgoto (de 0,08% para 0,33%), que refletiu o reajuste de 7,21% vigente em Porto Alegre (3,29%) a partir do dia primeiro de julho. Isto, principalmente, por causa da desaceleração no ritmo de crescimento dos valores dos aluguéis residenciais (de 0,84% para 0,46%), condomínio (de 0,92% para -0,19%) e mão de obra para reparos (de 0,66% para 0,36%), além da energia elétrica (de 0,45% para 0,21%).

No caso do grupo Saúde e Cuidados Pessoais (de 0,67% para 0,47%), os remédios (de 0,47% para -0,04%) foram os responsáveis pela desaceleração, uma vez apropriado, até o mês anterior, o reajuste anual concedido no final de março. Além destes, destacaram-se, pela redução nas taxas, os Artigos de Residência (de 0,42% para 0,03%) e os de Vestuário (de 1,25% para 0,10%).

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