Os maiores fundos de pensão do Brasil têm planos de deixar a segurança dos títulos públicos e aumentar seus investimentos em infra-estrutura este ano. O setor de energia voltou a ser prioridade para as fundações, que já anunciaram a criação de um fundo em parceira com o BNDES para financiar pequenas usinas hidrelétricas. Com patrimônio de R$ 245 bilhões em março, as entidades buscam alternativas para a queda na rentabilidade das aplicações em renda fixa.

O presidente da Petros (dos funcionários da Petrobras), Wagner Pinheiro, revelou que o gestor será escolhido no dia 2 de julho entre 13 candidatos. A Petros não é a única a apostar no fundo, que terá patrimônio entre R$ 600 milhões e R$ 1,2 bilhão.

Além dela, a Previ (do Banco do Brasil) e a Funcef (da Caixa Econômica Federal) também entraram com 20% dos recursos. O restante virá de fundos como Real Grandeza (Furnas), Eletros (Eletrobrás) , Valia (Companhia Vale do Rio Doce) e Fapes (BNDES).

“Esse projeto é uma prioridade para nós. Acredito que será um divisor de águas”, afirmou o presidente da Funcef, Guilherme Lacerda, que participou ontem da apresentação do II Seminário Internacional dos Fundos de Pensão a ser realizado no início de julho no Rio de Janeiro.

O desenho do projeto foi elaborado pelo BNDES, que fará ainda a análise dos investimentos que receberão recursos do fundo. A estimativa é de que o projeto possa gerar mais de 3,3 mil megawatts de energia para o Brasil.

Pinheiro adiantou ainda que a operação já foi apresentada também para a diretoria de outros fundos de pensão, como o Banesprev, Fundação Cesp e Eletros CEEE. A intenção, segundo ele, é atrair o maior número de investidores possível. O que, destaca, não será difícil visto que a rentabilidade mínima prevista é de 12% ao ano.

Além desse projeto, o Petros quer tirar da gaveta outro empreendimento na área de energia: a expansão de Tucuruí. O plano é retomar os estudos para a subscrição de R$ 450 milhões em debêntures da Eletrobrás para tocar a obra. O projeto, conta, ficou na gaveta até agora em função da indefinição na administração da Eletrobrás. “A empresa ficou sem presidente por quase cinco meses e com um diretor financeiro interino. Só há pouco tempo ele foi efetivado no cargo. Acredito que agora o projeto ande”, afirmou.

Petrobras

As fundações anunciaram ainda a criação de Sociedade de Propósito Específico (SPE) com o objetivo de alugar equipamentos para a estatal explorar petróleo e gás na Bacia de Campos. O valor do “project finance” é de R$ 180 milhões e terá uma rentabilidade mínima de Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M) mais 10% ao ano.

Além disso, elas terão direito a uma taxa de performance de acordo com o preço do petróleo. O presidente da Petros afirmou que esse é um projeto piloto, que poderá ser ampliado no futuro. “O projeto permite que a Petrobras possa ficar com seus recursos liberados para outros investimentos”, explicou.