Rio (AE) – O bom desempenho da indústria no segundo trimestre já está levando a uma nova rodada de revisão das projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2005, desta vez, para cima. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) deverá ampliar sua estimativa, que havia sido rebaixada em junho de 3,5% para 2,8%. Ontem, o Instituto de Economia (IE) da UFRJ ajustou sua estimativa de expansão da economia de 3,5% para 3,7%.

Os ajustes de projeções estão sendo feitos a despeito da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que hoje decide sobre a manutenção ou não da taxa Selic. O economista do IE/UFRJ, Caio Prates da Silveira, responsável pela análise da conjuntura, disse que os resultados da produção industrial foram positivos e concorda que outras instituições deverão calibrar para cima suas expectativas de crescimento do PIB.

O Ipea deverá ser uma delas. O coordenador do Grupo de Acompanhamento Conjuntural (GAC) do Ipea, Fábio Giambiagi, admitiu hoje a possibilidade de revisão. Ele falou que números da atividade dos últimos meses vieram bons, com destaque para a produção industrial de abril a junho. Mas preferiu nada informar sobre a nova projeção, que será divulgada apenas no próximo dia seis de setembro, com o boletim trimestral da instituição.

O Ipea vinha esperando um crescimento do PIB de 0,7% no segundo trimestre deste ano, ante o imediatamente anterior, livre dos fatores sazonais. Esta taxa deverá ser superada. No mercado, já há estimativas pouco acima de 1% para o período. Os dados do IBGE mostram que a produção industrial cresceu 6,1% no segundo trimestre, ante igual período ano passado, bem acima dos 3,9% do primeiro trimestre, na mesma base de comparação.

Copom

O ex-ministro Luiz Carlos Breser Pereira disse ontem, em evento no Rio, que uma redução de 0,25 ou 0,50 ponto porcentual na taxa Selic ?não significa nada?. O comentário foi feito logo depois de o economista explicar que ?não entra? na discussão sobre os prognósticos para a reunião do Copom. Presente ao mesmo evento, o economista da UFRJ Fernando Cardim comentou que virou ?quase um esporte? todo mês fazer apostas para o resultado do Copom.

Bresser afirmou que os juros continuam ?absolutamente um escândalo e um assalto ao patrimônio público e ao povo brasileiro?. Para ele, é necessária, sim, uma decisão do governo de baixar a taxa de juros ?de uma situação de doença para níveis decentes?. ?Acho que o governo brasileiro, que não vai ser esse, que já acabou, deveria tomar a decisão?, comentou.