A safra de verão 2003/04, que já começa a ser plantada, promete ser menos rentável do que a anterior para os produtores paranaenses. Por dois motivos: a elevação dos insumos combinada com a retração das cotações aos produtores. Levantamento do Deral (Departamento de Economia Rural) apontou aumento médio de 40% numa cesta de 29 insumos usados nas culturas da soja, milho e feijão, na comparação de junho de 2003 com junho de 2002.

Nesse período, a saca de semente fiscalizada de feijão passou de R$ 105,84 para R$ 178,59, um aumento de quase 70%. A tonelada da uréia encareceu 68%, passando de R$ 469,94 para R$ 781,45. Algumas formulações selecionadas de N-P-K tiveram um incremento médio de 50%. Dentre os agrotóxicos, o grupo de fungicidas selecionados teve a maior variação, cerca de 36%, seguidos pelos herbicidas (30%) e inseticidas (22%). Apesar do aumento dos insumos, não se fala em redução de tecnologia. “O grosso dos agricultores está no patamar de investir para garantir uma boa produtividade e redução de custos”, destaca a engenheira agrônoma Margorete Demarchi, do Deral.

A disparada dos preços está relacionada à variação cambial, já que o País é altamente dependente da matéria-prima importada. “Com a alta do dólar a partir de julho (de 2002), os preços desses produtos foram atingidos diretamente”, observa Margorete. Na safra passada, a maior parte dos produtores já tinha plantado a safra quando o dólar subiu. “Historicamente, o produtor comprava em cima da hora de plantar. Hoje, à medida que vai colhendo a safra no primeiro semestre, ele vai comprando e reservando os insumos”, relata. Neste ano, entretanto, com a redução do câmbio, os preços dos insumos tendem a cair no segundo semestre, gerando uma situação atípica. Na comparação de junho com maio, já se constatou queda.

Outro agravante para reduzir a rentabilidade da próxima safra é a tendência de queda nos preços recebidos da soja, milho e feijão. A explicação também é a variação do dólar, que neste caso é repassada mais rapidamente por se tratar de commodities. A soja, cuja remuneração chegou a R$ 41 em fevereiro, passou para R$ 33 na semana passada. Pela saca de milho, os produtores recebiam R$ 21, mas o valor caiu para R$ 13. O feijão carioca alcançou a cotação de R$ 97 em março, porém hoje a saca sai por R$ 57. A cotação do feijão preto está mais estável, passando de R$ 65 para R$ 54 nesta safra. Os primeiros números da safra 2003/04 no Paraná serão divulgados no final do mês. Algumas regiões já plantam feijão. O cultivo do milho começa em agosto, iniciando na seqüência a semeadura da soja.