Brasília

– Aumentou ontem o tom da torcida aberta de autoridades do governo por um corte nos juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 20 e 21 de maio. “Todas as condições da economia apontam para uma queda dos juros”, afirmou o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP). Ele ressalvou, porém, que a decisão cabe exclusivamente ao Copom. O senador defendeu uma queda progressiva e segura dos juros.

Em Belo Horizonte, o vice-presidente da República, José Alencar, também voltou a opinar sobre economia e classificou como um “despropósito” as atuais taxas de juros, que estão em 26,5%. Ele cobrou mais atenção das “autoridades que administram as finanças públicas” à economia real e menos ao “economês”. Alencar esteve ontem na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), acompanhado pelo ministro da Educação, Cristóvam Buarque.

Sem especificar a quem estava dirigindo suas críticas, o vice-presidente atacou o que chamou de obediência e subserviência ao mercado, ou “especuladores”, conforme rotulou. “É aquela história de reunir os credores para dizer: deixa eu baixar meio ponto percentual dos juros já que nós somos tão subservientes, temos sido. Tão obedientes ao chamado mercado que não é mercado, são especuladores”, disse. “Nós não podemos de forma alguma aceitar essa situação.”

Segundo ele, a queda de um ponto porcentual na taxa de 26,5% estabelecida pelo Banco Central (BC) proporcionaria ao País uma economia de despesas da ordem de R$ 750 milhões mensais ou R$ 9 bilhões ao ano. “Eu faço esse tipo de comparação e vejo que o que se precisa para a UFMG, ministro, é dinheiro trocado perto disso.” O vice-presidente insistiu na cobrança. “É preciso cair os juros e cair muito.”

Também o ministro do Planejamento, Guido Mantega, afirmou que “com certeza, em algum momento, os juros vão cair”. Ele, porém, não arriscou dar palpites sobre o prazo. “Quando, vocês têm de perguntar para o Copom, para o Banco Central”, disse.

O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, não ajudou a clarear o quadro ao declarar, anteontem, que o risco de descontrole inflacionário está superado, porém a batalha contra a inflação ainda não está vencida. “Qualquer que seja a decisão do Copom, ela estará de acordo com essa declaração do ministro”, comentou o economista-chefe do Lloyds TSB, Odair Abate.