Brasília – Depois de se beneficiar da crise de confiança que atingiu os fundos de investimentos em meados do ano passado, a caderneta de poupança voltou a registrar saques expressivos a partir de outubro e, de lá para cá, não pára mais de perder dinheiro. No mês passado, os saques superaram o total de depósitos em R$ 1,015 bilhão. Essa foi a maior perda desde abril do ano passado quando a captação líquida foi negativa em R$ 1,1 bilhão.

No último trimestre de 2002, a diferença entre as retiradas e os novos depósitos dos poupadores estava negativa em torno de R$ 150 milhões e R$ 300 milhões por mês. Ainda assim, o resultado superior a R$ 1 bilhão registrado em janeiro não surpreendeu os especialistas de mercado que creditam esse movimento à combinação de dois fatores: o aumento do rendimento dos fundos de investimento e os gastos excessivos de fim de ano.

Segundo Marcos Carneiro, gerente da Mercatto Administradora de Recursos de Terceiros, o aumento da inadimplência no final do ano passado pode ter estimulado muita gente a usar o dinheiro que estava guardado para quitar compromissos em atraso e, com isso, se livrar de vez da dívida. As sucessivas elevações dos juros pelo Banco Central desde a reunião de outubro do Comitê de Política Monetária (Copom) fizeram as taxas cobradas dos consumidores explodirem. Com isso, dívidas em atraso se tornam uma bola de neve.

Por outro lado, com a alta da inflação os aplicadores tendem a ficar mais atentos a investimentos que assegurem ganhos maiores. A rentabilidade da poupança não tem sido nem um pouco atrativa. Em janeiro, por exemplo, a caderneta rendeu 0,99% enquanto os fundos de investimentos que acompanham as taxas negociadas entre os bancos (fundos DI) apresentaram rendimentos entre 1,9% e 2,15% dependendo do prazo de vencimento dos títulos que estavam nas carteiras desses fundos.