O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de Curitiba fechou com variação de 0,06% em julho, 0,17 ponto percentual acima da taxa de junho (-0,11%). Foi o menor resultado nos meses de julho desde 99, ano de início da pesquisa do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). No acumulado do ano, o IPC – que mede o custo de vida para famílias curitibanas com rendimento mensal entre 1 e 40 salários mínimos – teve alta de 5,10%, enquanto no mesmo período do ano passado o índice foi de 3,85%. Nos últimos doze meses, o IPC acumula elevação de 13,37% – contra 6,35% nos doze meses até julho do ano passado.

O índice de julho surpreendeu os técnicos do Ipardes. De acordo com o economista Gino Schlesinger, historicamente o mês de julho apresenta índices acima de 1%, sendo geralmente o maior do ano em função dos reajustes das tarifas de energia elétrica e telefonia fixa. Por decisão do governador Roberto Requião, a correção de 25% nas tarifas da Copel foi transformada em desconto para os consumidores que pagarem as contas em dia. Por isso, o único aumento de energia foi o do seguro-apagão (1,89%), com impacto de 0,04 no IPC.

“Caso o aumento da Copel tivesse ocorrido, o aumento seria de 10,85%”, comentou Schlesinger. A alta dos serviços de telefonia fixa foi de 1,84%, com influência de 0,03 no índice global. No dia 11 de julho, a Justiça decidiu pela aplicação do IPCA na revisão anual dos contratos das concessionárias. Caso fosse mantida a correção pelo IGP, a inflação teria subido mais 0,04. Ou seja, se tivessem entrado em vigor as correções previstas, o IPC de julho teria fechado em 0,30%.

Outro grupo que contribuiu para o índice estável do mês passado foi Alimentos e Bebidas (-0,36%), que costuma ter alta em julho. Contribuíram para esse resultado as quedas da batata-inglesa (-22,18%), tomate (14,58%) e café em pó (-2,89%). A maior influência negativa para o IPC foi Vestuário (-2,5%), com impacto de -0,14 na taxa. “Historicamente, julho e agosto apresentam valores negativos nesse grupo por causa das liquidações de inverno”, aponta Schlesinger. Também teve queda o grupo Artigos de Residência (-0,07%).

O aumento que mais pesou no índice foi o grupo Despesas Pessoais (0,75%), que representou 0,12 da taxa global, em função do acréscimos em excursão não-escolar (10,11%), diarista (2,78%), brinquedos e jogos (5,51%) e ingresso de futebol (10,67%). Outra contribuição positiva foi Transporte e Comunicação (0,34%), com destaque para os aumentos em automóvel de passeio e utilitário usado (1,56%) – item com maior contribuição no IPC, de 0,09 – passagens aéreas (6,67%), gasolina (2,07%) e serviços de telefonia residencial (1,84%). A principal queda ocorreu em álcool combustível (-14,24%). Os outros grupos que tiveram alta foram Habitação (0,36%) e Saúde e Cuidados Pessoais (0,15%).

Cenário

Segundo Schlesinger, o IPC de agosto deve ficar entre 0,20% e 0,40%, refletindo ainda parte do aumento da telefonia fixa (8 a 9%), elevação do preço da gasolina (4 a 5%), automóvel usado e álcool combustível. O economista projeta variação positiva no grupo Alimentos e Bebidas, porém próxima de zero. Com a redução do IPI, espera-se queda nos preços de automóveis zero – com impacto de -0,05 a -0,06 no índice. Como Curitiba teve redução na tarifa de ônibus urbano e não teve aumento na energia elétrica, Schlesinger acredita que é possível fechar o ano com inflação abaixo da média nacional, entre 7,5% e 8%. O Banco Central trabalha com a meta limite de 8,5%.