O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) para famílias que recebem de 1 a 40 salários mínimos foi de 0,48% no mês de março em Curitiba – desempenho igual ao registrado em fevereiro. O grupo de maior influência em todo o índice – e também o único a apresentar variação negativa – foi transporte e comunicação, com queda de 0,84%. O acumulado do ano está em 2,70%. As informações foram divulgadas ontem pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes).

Entre os itens que mais contribuíram na variação do IPC, destaque para o aumento de preço do automóvel de passeio nacional zero km (4,16%), água e esgoto (7,01%), tarifa de ônibus urbano (3,03%), cigarros (5,41%), almoço e jantar – refeições (1,39%), sapato feminino (9,87%), blusa feminina (7,45%), entre outros. Já os itens que contribuíram na variação de forma negativa, destaque para álcool combustível (-21,85%), gasolina (-7,64%), excursão não-escolar (-14,86%), vestido para adulto (-15,67%), entre outros.

O segundo grupo de maior influência na variação do índice – atrás de transporte e comunicação – foi vestuário, com variação de 2,14%. “É um aumento sazonal, comum nesta época do ano”, explica o técnico do Ipardes, economista Gino Schlesinger. Roupas masculinas subiram 3,66%; femininas, 1,32% e infantis, 4,30%.

Já no grupo alimentos e bebidas, que fechou o mês com variação de 0,59%, destaque para a queda do preço de carnes bovinas (-3,04%), carnes suínas (-1,34%), pescados (-3,84%), açúcar refinado (-6,15%) e arroz (-3,29%). Já a alta ficou por conta das aves (1,77%), produtos industrializados (0,65%), produtos in natura (2,50%) e café em pó (2,76%). Para Schlesinger, a queda de preços em alguns itens – especialmente carnes -se deve à guerra de preços entre os supermercados. “Mas essas quedas não devem continuar”, avisou. Em fevereiro, o grupo alimentos e bebidas fechou o mês com variação negativa de 0,33%.

A alta do grupo habitação foi de 0,72%, com destaque para o item água e esgoto (7,01%). Também o grupo artigos de residência apresentou alta, de 1,04%. Os itens que mais influenciaram no resultado foram, com alta, móvel para quarto – armário (4,11%) e, com queda, videocassete (-2,51%).

O aumento de preços dos medicamentos (2,55%) colaborou para a alta de 1,20% do grupo saúde e cuidados pessoais. Analgésicos e antitérmicos tiveram alta de 4,76%. Outro grupo que sofreu variação positiva foi despesas pessoais, com 0,73%. Esse resultado deveu-se, principalmente, às altas em serviços de diarista (1,90%), brinquedos e jogos (4,44%), casas noturnas (2,39%) e CDs (3,29%). Com queda, destaque para excursão não-escolar (-14,86%).

Expectativa

Para o mês de abril, a expectativa é que o IPC seja um pouco maior do que em março, mas menor do que abril de 2003, quando o índice foi de 0,87%.

“A variação vai depender especialmente do grupo alimentos e bebidas”, afirmou Gino Schlesinger. Segundo ele, o vestuário e o aumento de preços dos medicamentos devem pressionar a inflação este mês. A médio prazo, no entanto, suas expectativas são positivas. “Curitiba deve fechar o ano com inflação de 6%, muito próximo à meta de 5,5%”, afirmou. Por se tratar de ano eleitoral, Schlesinger acredita que as tarifas públicas não sofrerão alta acentuada.