A inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ficou em 0,47% em março, a menor taxa registrada desde novembro (0,34%), segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas). O indicador, utilizado pelo Banco Central para monitorar as metas de inflação, havia registrado taxa de 0,76% em janeiro e de 0,61% em fevereiro.

O recuo do IPCA e de outros índices deve levar o Copom (Comitê de Política Monetária do BC) a reduzir a taxa básica de juros da economia – que está hoje em 16,25% ao ano – na reunião da próxima semana.

Com o resultado de março, o IPCA acumulou inflação de 1,85% no primeiro trimestre do ano. Nos últimos 12 meses, a taxa chega a 5,89%. A meta do governo para 2004 é de 5,5%, com uma margem de oscilação de 2,5 ponto percentual para baixo ou para cima.

A desaceleração de preços deveu-se principalmente à ausência das mensalidades escolares, que, em fevereiro, haviam subido 8,11%. Em março, a taxa dos gastos com mensalidades escolares baixou para 0,66%.

A queda no preço do álcool, de 12,87%, também contribuiu para segurar a taxa no mês passado. Além disso, a gasolina registrou deflação de 1,41%.

Por outro lado, os alimentos voltaram a subir e passaram de 0,15% para 0,43% de fevereiro para março. Entre os produtos que mais pressionaram os preços dos alimentos estão o óleo de soja (7,6%), ovos (6,86%), azeite (5,34%) e sal (4,07%).

Os preços dos automóveis também estão entre os principais fatores de pressão na alta do IPCA. O automóvel novo registrou alta de 2,33%. Já o automóvel usado subiu 1,54%. O aumento no preço dos automóveis deveu-se ao repasse à produção dos custos do aço, cujo preço tem subido no mercado internacional.

O IPCA apura a variação dos preços dos produtos consumidos pelas famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos e abrange nove regiões metropolitanas brasileiras, além de Goiânia e Brasília.

Outros

O IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) de março, divulgado nesta semana pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), ficou em 0,93%. Em fevereiro, o índice havia registrado alta de 1,08%.

A tendência de desaceleração também foi registrada pelo IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, da USP). A inflação do município de São Paulo ficou em 0,12% em março, a menor taxa desde julho do ano passado, quando houve deflação de 0,08%.

A primeira prévia de abril do IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), divulgada anteontem pela FGV, também apontou desaceleração nos preços. A taxa ficou em 0,52%, contra 0,66% em igual período de março.

INPC sobe

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) subiu 0,57% em março e ficou 0,18 ponto percentual acima da taxa de 0,39% de fevereiro. Com esse resultado, o INPC, que é usado para medir a inflação para as famílias com rendimentos até oito salários mínimos, acumula 1,80% no primeiro trimestre do ano, abaixo do percentual de 5,39%, relativo a igual período de 2003.

Nos últimos 12 meses, a taxa ficou em 6,62%, também abaixo do resultado dos 12 meses imediatamente anteriores (7,47%). Em março de 2003, o INPC registrou alta de 1,37%.