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Consumo privado será menor que o estimado, mas o do governo vai subir.

Rio (AE) – O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão do Ministério do Planejamento, reduziu sua projeção para o crescimento do PIB este ano de 3,3% para 2,8%. O Ipea divulgou ontem o seu Boletim de Conjuntura com projeções e estimativas para os principais indicadores macroeconômicos. Entre os componentes do PIB, a maior modificação nas projeções em relação ao boletim anterior, de setembro, foi de importações de bens e serviços, que foi aumentada de 14% para 16,8%. As exportações também tiveram sua projeção ampliada, de 4,5% para 4,6%.  

Os investimentos foram mantidos em 6%. O consumo do governo teve sua estimativa elevada de 1,8% para 2%, enquanto o consumo privado foi revisto para baixo de 4,3% para 4,2%. A projeção para a agropecuária subiu de 2,3% para 3%. Já a da indústria foi reduzida de 4,2% para 3,2%. A de serviços foi reduzida de 2,4% para 2,3%.

O Ipea está projetando para a indústria, pelo conceito da pesquisa industrial mensal do IBGE, um crescimento de 2,8% em 2006. Já o conceito de indústria pelo PIB inclui também energia elétrica e construção civil, portanto mais amplo que o da pesquisa industrial mensal.

Para o Ipea, a projeção do PIB para o ano que vem deve ser de 3,6%. O crescimento seria resultado de um aumento de 4,4% na agropecuária, de 4,7% na indústria e de 2,7% no setor de serviços. O órgão está prevendo que o consumo privado no ano que vem se elevará em 5,2% e o do governo manterá o ritmo previsto para este ano, de 2%.

Os investimentos em máquinas e equipamentos e construção civil, no conceito de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), aumentariam 7,4%. A expansão das importações de bens e serviços no ano que vem está projetada em 15,1% e a das exportações, em 3,6%. Para o desempenho da indústria, medido como na pesquisa industrial mensal do IBGE, a projeção do Ipea é de expansão de 4,1%.

O órgão ainda reduziu de R$ 2,19 para R$ 2,17 a projeção de dólar médio neste último trimestre do ano. Com isso, o câmbio médio em 2006 ficará, segundo o Ipea, em R$ 2,18. Para 2007, a projeção para o câmbio médio no ano é de R$ 2,25, sendo que a média para o quarto trimestre do ano que vem é estimada em R$ 2, 30.

A inflação medida pelo IPCA teve sua projeção para este ano reduzida de 3,2% para 3,1%. Para o ano que vem, a inflação esperada é de 4,3%. A Selic média neste quarto trimestre de 2006 foi revista de 14% para 13,6%. A Selic média em todo o ano de 2006 foi revisada de 15,4% para 15,3% e o nível de juros reais pela Selic passou da média anual de 11,8% para 11,9%.

Para 2007, o Ipea prevê uma Selic média de 12,4%, com média no último trimestre do ano de 12%. Os juros pela Selic real média no ano que vem estão projetados em 7,8%.

Superávit

O Ipea aumentou a projeção de superávit comercial deste ano de US$ 43,6 bilhões para US$ 44,3 bilhões. O saldo será resultado de exportações de US$ 137,1 bilhões menos importações de US$ 92,8 bilhões.

O instituto ainda estima, para este ano, um déficit de US$ 35,3 bilhões em serviços e rendas e transferências unilaterais positivas para o Brasil em US$ 4 bilhões. Com isso, a estimativa para o superávit em conta corrente para este ano foi elevada para US$ 13 bilhões. No boletim de setembro, o Ipea estimava um saldo em conta corrente de US$ 10,6 bilhões.

Para 2007, o Ipea está esperando um superávit em conta corrente de apenas US$ 4,1 bilhões. O saldo da balança comercial seria reduzido no ano que vem para US$ 37,2 bilhões. O mesmo número é projetado como déficit na conta de serviços e rendas. As transferências unilaterais ficariam com superávit de US$ 4,1 bilhões. De acordo com o Ipea, as exportações em 2007 devem atingir US$ 149,2 bilhões e as importações, US$ 112 bilhões.

O órgão aumentou a sua projeção de crescimento para os bens de capital este ano de 4,6% para 5,1% e reduziu suas projeções para todos os demais segmentos industriais. O Ipea, tomando como modelo a Pesquisa Industrial Mensal do IBGE, reduziu a projeção de crescimento para a indústria em geral este ano de 3,5% para 2,8%. A projeção para o segmento de bens intermediários caiu de 3,4% para 2,4%; a de bens de consumo duráveis foi diminuída de 7,1% para 5,8%. No caso de bens semi e não-duráveis, a revisão foi de crescimento de 3,6% para 2,5%.

A indústria de transformação como um todo teve sua estimativa de crescimento para este ano reduzida de 3,3% para 2,6%. A extrativa mineral teve sua expansão revista de 7,1% para 7%.

Para 2007, a Ipea projeta um crescimento de 4,1% da indústria em geral, sendo de 6,5% para a extrativa mineral e 3,9% para a indústria de transformação. Segundo as projeções do Ipea, no ano que vem, o segmento de bens de capital teria uma expansão de 5,8%; o de bens intermediários cresceria 3,3%; o de bens de consumo duráveis teria uma expansão de 3,8%; e o de bens de consumo semi e não-duráveis teria um desempenho positivo de 2,8%.