O governo da Irlanda vai cumprir a meta de austeridade orçamentária para 2014, mas há uma flexibilidade quanto aos cortes de gastos e os aumentos de impostos que deverão ser adotados, escreveu o ministro das Finanças do país, Michael Noonan.

Em artigo a ser publicado na edição desta segunda-feira do jornal Irish Examiner, Noonan diz que “o governo está comprometido a cumprir o déficit para 2014, como ficou acertado, mas o tamanho real do ajuste que será melhor para o país, para os empregos e o crescimento, não será decidido até chegarmos bem mais perto do Dia do Orçamento” – uma referência à data habitual para a apresentação da proposta de Orçamento ao Parlamento, em 15 de outubro.

Nas últimas semanas, cresceram as divergências entre os dois partidos que compõem a coalizão de governo da Irlanda sobre como atender às exigências feitas pela União Europeia e pelo FMI em troca de um pacote de ajuda financeira para salvar os bancos do país. Parlamentares do Fine Gael, o partido majoritário, liderado pelo primeiro-ministro Enda Kenny e do qual Noonan é dirigente, pediram ao governo que implemente em sua totalidade as medidas de austeridade de 3,1 bilhões de euros previstas para 2014.

Já os ministros do Partido Trabalhista, minoritário na coalizão, têm argumentado que o governo tem espaço para reduzir a carga imposta pelas medidas de austeridade à população, desde que decida usar a receita obtida depois do refinanciamento da dívida dos bancos.