Itaipu vai se engajar na luta em defesa das atuais e futuras grandes hidrelétricas, das quais o Brasil – que tem o maior potencial hidrológico do mundo – depende para manter e garantir seu crescimento econômico e avanços sociais. A intenção é chegar à mídia para rebater críticas e opiniões infundadas divulgadas por entidades ambientalistas de países da Europa e Estados Unidos, regiões que já esgotaram seu potencial hidráulico e hoje defendem alternativas que, no caso brasileiro, não são solução para a crise energética.

A posição de Itaipu está em acordo com a do governo brasileiro e atende a um pedido da ministra de Minas e Energia, Dilma Roussef. Essa nova missão foi discutida, inicialmente, entre duas áreas de Itaipu, as diretorias Técnica e de Coordenação, esta última responsável pelo setor de Meio Ambiente, mas se estenderá a toda a empresa. O superintendente de Operação de Itaipu, Marcos Lefévre, abriu as discussões com um trabalho que desenvolveu sobre a situação atual das grandes hidrelétricas – “Itaipu, hidrelétricas e a questão ambiental”.

Campanha dos ricos

Lefévre iniciou seu relato comentando que, no mundo inteiro, há hoje uma campanha contra as grandes hidrelétricas, promovida por ONGs dos países ricos, e esta campanha já fincou pés também no Brasil. A atuação contra as grandes hidrelétricas prejudica os países em desenvolvimento como o Brasil, que precisam de energia barata e de recursos para construir usinas. Hoje, uma hidrelétrica tem custo e prazos de construção semelhantes aos de uma usina termelétrica – US$ 700 o megawatt -, mas a diferença é que utilizará um recurso barato e renovável – a água -, enquanto a termelétrica usa fontes mais caras e poluentes.

Em recente reunião na Alemanha, ONGs ambientalistas queriam retirar as grandes hidrelétricas da relação de fontes de energia renovável, o que traria como conseqüência a dificuldade para obtenção de créditos internacionais. A ministra do Meio Ambiente do Brasil, Marina Silva, numa posição corajosa que fez com que fosse considerada “traidora” pelos ambientalistas, conseguiu reverter a proposta, com apoio de Uganda e de outros países dependentes da hidreletricidade.

Comprometimento

A ministra de Minas e Energia, Dilma Roussef, manifesta a opinião do governo brasileiro sobre o assunto: “O Brasil e os países em desenvolvimento estariam comprometendo suas economias se aceitassem a exclusão das hidrelétricas das fontes de energia renovável.”

Marcos Lefévre lembrou que tanto o público interno de Itaipu, quando participa de encontros onde o tema seja abordado, quanto a opinião pública em geral, precisam ter real conhecimento dos benefícios que uma usina como Itaipu trouxe. Ele cita os cuidados ambientais adotados antes mesmo do início do projeto, quando ecologia ainda não era uma palavra da moda, e o incremento das ações em benefício do meio ambiente, nos últimos anos, como o apoio ao plantio direto, o projeto das plantas medicinais, a coleta seletiva e, mais recentemente, a ampliação das ações em defesa das águas de toda a Bacia do Paraná III.

Isso, sem contar o pagamento de royalties pela geração de energia elétrica. Para os municípios lindeiros, os royalties representam, em média, 50% de a mais no orçamento anual, o que beneficia cerca de 500 mil moradores.

Meias verdades

Para as ONGs ligadas principalmente a duas entidades, a WWF e a ING, a construção de grandes usinas retira recursos que poderiam ser utilizados em fontes alternativas. No caso brasileiro, isso é uma besteira, segundo os especialistas do setor, já que a energia eólica ou a térmica não têm, hoje, potencial para suprir um mínimo do que o Brasil precisa.

E ainda: para os ambientalistas, as grandes usinas tornam mais vulnerável o clima, quando, na verdade, a alteração climática no mundo ocorreu por outros fatores, principalmente a poluição, inclusive a gerada por usinas térmicas. Os grandes reservatórios, segundo as entidades ambientalistas, seriam responsáveis pelo aumento do efeito estufa, o que já foi desmentido por estudos da Eletrobrás. Porém, a versão que chega à mídia é a dos ambientalistas, e não a dos estudos sérios feitos sobre o tema.

Número “mágico”

O diretor técnico executivo de Itaipu, Antônio Otélo Cardoso, acrescentou outro dado utilizado pelos ambientalistas. No Brasil, eles divulgam que o alagamento de áreas para formação de reservatórios das grandes barragens expulsou um milhão de pessoas. “De onde saiu este número? Ninguém sabe. Mas é usado como se fosse verdadeiro”, criticou. E prosseguiu: “As reações contrárias (ao que dizem as ONGs) não atingem a opinião pública, enquanto as críticas estão estampadas diariamente na grande imprensa”.

Antônio Otélo Cardoso acha que é preciso “se mexer logo” e “de forma objetiva”. E deu exemplos de ações positivas que precisam ser mais exploradas pela mídia. Por exemplo, embora Itaipu tenha sido construída no regime militar, houve cuidados ambientais e todo um preparo urbano de Foz do Iguaçu para receber o empreendimento, com a construção de avenidas, manutenção de áreas verdes urbanas e construção de vilas residenciais que hoje são exemplos de bairros bem-estruturados. “O que foi feito em Foz é um caso único no País, e até hoje isso não é valorizado”, queixou-se.

Sem contar o aspecto mais importante: a produção de energia. “O último apagão que o Brasil sofreu, sem Itaipu, teria sido um terror para o País.” Por isso, o diretor técnico executivo pediu agilidade na implantação do Comitê de Gestão Ambiental da hidrelétrica, que inicialmente contará com representantes das diretorias Técnica e de Coordenação, e depois com todos os setores. “Nós temos que nos mexer logo, e objetivamente”, concluiu Antônio Otélo Cardoso.